Alienação parental por narcisistas: o que diz a lei e como se proteger

Alienação Parental por Narcisistas: O Que Diz a Lei e Como Se Proteger
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Dr. Anderson Contaifer

Médico, especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24484 | RQE de Clínica Médica 18790). Criador do projeto Quebrando as Algemas.

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Definição Rápida

Alienação parental por narcisistas: A alienação parental por narcisistas ocorre quando um dos pais utiliza os filhos como instrumento de manipulação contra o outro genitor. No Brasil, a Lei 12.318/2010 define alienação parental como crime e preve medidas judiciais para proteger a criança, incluindo multa e alteracao de guarda. — Dr. Anderson Contaifer, médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484)

AspectoComportamento do Pai/Mãe AlienadorImpacto na Criança
Falsas memóriasDistorce eventos até a criança “lembrar” o que não existiuConfusão de realidade e dificuldade de confiar na própria percepção
ParentificaçãoSobrecarrega com informações adultas sobre disputasPerda da infância e responsabilidade emocional inadequada
Uso como espiõesInterroga a criança sobre o outro paiLealdade dividida, culpa e ansiedade crônica
Sabotagem de visitasAgenda atividades conflitantes nos períodos de guardaPrivação do vínculo saudável com o outro genitor
Campanha de difamaçãoComentários negativos sistemáticos sobre o outro paiVulnerabilidade a relacionamentos abusivos na vida adulta

Fonte: Lei nº 12.318/2010 — Lei de Alienação Parental / Gardner, R. A. (1998) — Conteúdo baseado nas informações deste artigo

Neste Artigo

Quando o amor pelos filhos vira arma de guerra

Você já percebeu que, depois da separação, seu filho começou a agir de forma estranha com você? Talvez ele repita frases que não fazem sentido para a idade dele. Talvez tenha medo de demonstrar carinho quando está com você. Talvez diga que “não quer mais ir” para sua casa, usando exatamente as mesmas palavras que o outro genitor costuma usar.

Se você reconheceu essa situação, existe uma possibilidade real de que seus filhos estejam sendo vítimas de alienação parental. E quando o genitor alienador possui traços de Transtorno de Personalidade Narcisista (CID-11: 6D11), essa dinâmica se torna ainda mais grave, calculada e difícil de identificar.

Como médico especialista em Clínica Médica que acompanha diariamente pacientes em recuperação de abuso narcisista, posso afirmar: a alienação parental praticada por narcisistas é uma das formas mais destrutivas de violência psicológica contra crianças. E ela deixa marcas profundas na saúde mental dos filhos. Na análise que realizei de 58.143 comentários de vítimas de narcisistas nos canais Quebrando as Algemas, o tema “crianças e filhos” apareceu em 2.428 relatos (4,3% do total), muitos deles descrevendo exatamente essa realidade.

O que é alienação parental, do ponto de vista clínico

Alienação parental é a interferência sistemática na formação psicológica da criança ou do adolescente, promovida por um dos genitores (ou por quem tenha autoridade sobre ela), para que rejeite o outro genitor ou cause prejuízo ao vínculo afetivo entre eles.

Do ponto de vista da saúde mental, o que acontece é uma forma de abuso emocional. A criança é colocada no meio de um conflito que não é dela. Ela é instrumentalizada, ou seja, transformada em ferramenta de vingança, controle ou punição — funcionando como verdadeiro suprimento narcisista — contra o outro genitor.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o impacto da violência psicológica na infância como fator de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais na vida adulta, incluindo depressão, ansiedade e dificuldades nos vínculos afetivos. Quando essa violência vem disfarçada de “proteção” ou “cuidado”, como frequentemente ocorre na alienação parental, o dano pode ser ainda mais silencioso.

Por que narcisistas são os maiores praticantes de alienação parental

Nem todo caso de alienação parental envolve narcisismo. Porém, quando há um genitor com traços narcisistas, a alienação tende a ser mais grave, mais persistente e mais sofisticada. Existem razões clínicas claras para isso.

A criança como extensão narcísica

Para a pessoa com traços narcisistas, os filhos não são indivíduos autônomos. São extensões de si mesma. São “propriedade”. Quando o relacionamento acaba, o narcisista não perde apenas o parceiro. Ele perde o controle sobre alguém. E a criança se torna o último canal de controle disponível.

A necessidade de vencer a qualquer custo

A separação, para o narcisista, não é um processo de reorganização familiar. É uma batalha. E batalhas precisam ter vencedores e perdedores. Conquistar a lealdade exclusiva dos filhos é, na mente narcisista, a prova definitiva de vitória.

A ausência de empatia real pelos filhos

Essa talvez seja a parte mais difícil de aceitar. O genitor narcisista pode parecer extremamente dedicado aos filhos. Pode fazer publicações emocionantes nas redes sociais. Pode ser o “pai perfeito” ou a “mãe perfeita” para o mundo exterior. Mas, nos bastidores, os filhos são peças em um jogo de poder. O bem-estar emocional deles é secundário.

Os 8 sinais de alienação parental por narcisistas

A Lei 12.318/2010 (Lei de Alienação Parental) lista condutas que configuram alienação. Quando combinamos essas condutas com o padrão de comportamento narcisista, alguns sinais se tornam especialmente evidentes.

1. Campanha de desqualificação constante

O genitor narcisista faz comentários negativos sobre você na frente dos filhos de forma sistemática. Não são desabafos eventuais. São narrativas construídas com o objetivo de destruir a sua imagem. “Seu pai não se importa com você.” “Sua mãe é louca.” “Se ele realmente te amasse, estaria aqui.” São frases repetidas até que a criança passe a acreditar nelas como verdade.

2. Controle da comunicação

Ligações que nunca são atendidas. Mensagens que “não chegaram”. Vídeo-chamadas que sempre acontecem em momentos “inconvenientes”. O narcisista controla o acesso da criança ao outro genitor como forma de enfraquecer o vínculo. E faz isso de forma que pareça natural ou justificável.

3. Criação de falsas memórias

Este é um dos sinais mais graves. O genitor narcisista conta à criança versões distorcidas de eventos passados. Repete essas versões até que a criança “se lembre” de situações que nunca aconteceram. Essa técnica é a mesma do gaslighting-o-que-e-como-identificar/”>gaslighting, que apareceu em 17.345 relatos (30,6%) na análise dos 58.143 comentários do canal Quebrando as Algemas, adaptada para o contexto familiar.

4. Parentificação da criança

A criança é transformada em confidente do genitor narcisista. Ela ouve sobre questões financeiras, traições, processos judiciais. Informações que deveriam ser exclusivas do mundo adulto são despejadas sobre ela, criando um fardo emocional desproporcional à sua idade.

5. Uso dos filhos como espiões

O narcisista interroga os filhos sobre a rotina do outro genitor. “Quem estava lá?” “Seu pai estava com alguém?” “O que sua mãe comprou?” A criança é colocada na posição de informante, o que gera culpa, ansiedade e sensação de estar traindo um dos pais.

6. Sabotagem de momentos de convivência

Festas marcadas no mesmo horário da visita. Viagens “surpresa” que coincidem com o período de guarda do outro genitor. Crises de saúde que surgem misteriosamente sempre que a criança deveria ir para a casa do outro pai ou mãe. O narcisista sabe sabotar sem deixar provas claras.

7. Vitimização pública

Nas redes sociais, em reuniões escolares, em consultas médicas, o narcisista se apresenta como o genitor sacrificado, aquele que faz tudo sozinho. Essa narrativa pública serve para angariar aliados e isolar o outro genitor, que passa a ser visto pela comunidade como negligente ou ausente.

8. Ameaças disfarçadas de proteção

“Vou pedir a guarda exclusiva porque você não tem condições.” “Vou provar que você é um perigo para as crianças.” O narcisista utiliza o sistema jurídico como instrumento de intimidação. E, muitas vezes, cumpre as ameaças com processos longos, desgastantes e financeiramente destrutivos.

O que diz a lei brasileira sobre alienação parental

O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a criar legislação específica sobre alienação parental. A Lei 12.318, de 26 de agosto de 2010, define, caracteriza e estabelece punições para a prática de alienação parental.

Definição legal (Art. 2º)

A lei define alienação parental como a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou por quem tenha a criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

Condutas tipificadas (Art. 2º, parágrafo único)

A lei enumera formas exemplificativas de alienação parental: realizar campanha de desqualificação, dificultar o exercício da autoridade parental, dificultar o contato da criança com o outro genitor, dificultar o exercício do direito de convivência familiar, omitir informações pessoais relevantes sobre a criança, apresentar falsa denúncia contra o genitor para obstar a convivência, e mudar de domicílio para local distante sem justificativa.

Medidas judiciais possíveis (Art. 6º)

Quando caracterizada a alienação parental, o juiz pode determinar: advertência, ampliação do regime de convivência familiar em favor do genitor alienado, multa ao alienador, acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial, alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão, fixação cautelar do domicílio da criança, e declaração da suspensão da autoridade parental.

A perícia multidisciplinar (Art. 5º)

A lei prevê que o juiz pode determinar perícia psicológica ou biopsicossocial, com profissional habilitado, para avaliar a existência de alienação parental. Esse laudo é uma peça fundamental no processo. É aqui que a documentação clínica prévia faz toda a diferença.

Atualizações legislativas importantes

Em 2022, a Lei 14.340 trouxe alterações significativas à legislação sobre alienação parental. Entre as mudanças, destaca-se a exigência de que a alienação parental seja comprovada por perícia psicológica ou biopsicossocial antes da aplicação de sanções mais severas. Além disso, o texto reforçou que falsas acusações de alienação parental também devem ser coibidas, protegendo genitores que fazem denúncias legítimas de abuso.

É fundamental que você conheça essas atualizações para não ser surpreendido durante o processo judicial. O acompanhamento jurídico especializado em Direito de Família é indispensável.

O princípio do melhor interesse da criança

O princípio do melhor interesse da criança é o fundamento central utilizado pelo Poder Judiciário em todas as decisões que envolvem menores. Os tribunais brasileiros têm reafirmado que esse princípio não é um conceito aberto à livre interpretação dos genitores conforme suas conveniências pessoais. Ele deve ser extraído do próprio ordenamento jurídico, que estabelece como direito fundamental da criança a convivência ampla com ambos os núcleos familiares.

Isso significa que quando um genitor narcisista alega estar “protegendo” a criança ao impedir o contato com o outro genitor, essa conduta não encontra amparo legal. O descumprimento reiterado de decisões judiciais sobre convivência familiar não constitui exercício regular de direito. Ao contrário, configura ato atentatório à dignidade da justiça, nos termos do artigo 77, inciso IV, do Código de Processo Civil, podendo resultar em multas progressivas e até alteração de guarda.

Na prática clínica, observo que o narcisista frequentemente utiliza o discurso do “melhor interesse da criança” como justificativa para o controle. No entanto, a jurisprudência brasileira tem sido cada vez mais firme em reconhecer que o verdadeiro melhor interesse da criança inclui a manutenção do vínculo saudável com ambos os genitores.

Escuta especializada da criança

Em setembro de 2024, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou um protocolo específico para a escuta especializada de crianças e adolescentes em processos que envolvem alienação parental. Essa foi uma conquista importante para a proteção dos menores no sistema judiciário.

A escuta especializada, prevista na Lei 13.431/2017, é o procedimento no qual a criança ou adolescente é ouvida por profissionais capacitados — psicólogos, assistentes sociais ou outros especialistas — em ambiente acolhedor e sem a presença dos genitores na sala. O objetivo é garantir que a criança possa se expressar livremente, sem pressão ou influência de nenhuma das partes.

O protocolo do CNJ estabelece diretrizes importantes: os profissionais devem utilizar perguntas abertas, abordar temas neutros ou positivos antes de questões específicas, e assegurar ao menor um contato prévio com o profissional de pelo menos 30 minutos antes da audiência. Essas medidas são essenciais para identificar se a criança está reproduzindo falas programadas pelo genitor alienador ou expressando seus próprios sentimentos.

Do ponto de vista médico, a escuta especializada é fundamental porque permite ao sistema de justiça diferenciar o medo genuíno da criança (que pode indicar abuso real) da rejeição induzida (que caracteriza a alienação parental). Essa distinção é crucial para a proteção da saúde mental dos menores envolvidos.

Como a alienação parental afeta a saúde dos filhos

Os efeitos clínicos da alienação parental na criança são documentados na literatura médica e podem incluir quadros que exigem acompanhamento profissional.

No curto prazo, é comum observar: ansiedade de separação, alterações no sono e no apetite, queda no rendimento escolar, comportamento regressivo (voltar a chupar o dedo, urinar na cama), agressividade ou retraimento social.

No longo prazo, os estudos apontam para consequências mais profundas: dificuldade em formar vínculos afetivos seguros na vida adulta, maior vulnerabilidade a relacionamentos abusivos (repetindo o ciclo), desenvolvimento de transtornos de humor e ansiedade, baixa autoestima crônica, e sentimento de culpa persistente. Esses padrões são especialmente comuns em filhos de mães narcisistas e pais narcisistas.

A relação entre abuso emocional na infância e TEPT Complexo (TEPT-C), reconhecido na CID-11 como 6B41, inclui especificamente perturbações na auto-organização (DSO), que se manifestam como problemas de regulação emocional, autoconceito negativo e dificuldades relacionais. Filhos de narcisistas que sofreram alienação parental podem apresentar esses sintomas décadas depois. Para entender melhor o impacto do trauma complexo em crianças e adolescentes, recomendo a leitura do artigo específico sobre o tema.

Guia prático: como se proteger legalmente

1. Documente tudo, sempre

Mantenha registros de todas as comunicações com o genitor narcisista. Salve mensagens, e-mails, áudios. Registre datas e horários de visitas impedidas. Anote falas da criança que indiquem alienação (com data, contexto e palavras exatas). Essa documentação será essencial caso você precise acionar a Justiça.

2. Mantenha o acompanhamento profissional da criança

Psicólogo infantil, pediatra, escola. Todos esses profissionais podem observar mudanças no comportamento da criança e produzir relatórios técnicos que servem como prova. Peça relatórios escritos periodicamente.

3. Não entre no jogo

O narcisista quer reação. Ele provoca para que você perca o controle e, assim, possa usar seu comportamento contra você no processo. A técnica da Pedra Cinza (manter respostas mínimas, factuais e sem emoção) é especialmente útil na comunicação co-parental com narcisistas.

4. Busque apoio jurídico especializado

Alienação parental é um tema complexo no Direito de Família. Procure um advogado que tenha experiência comprovada nessa área. O profissional precisa entender a dinâmica do narcisismo para construir uma estratégia eficaz.

5. Cuide da sua saúde mental

Você não pode proteger seus filhos se estiver emocionalmente destruído. O acompanhamento médico e psicológico do genitor alienado é tão importante quanto o da criança. A recuperação do abuso narcisista é um processo, e você merece suporte profissional durante essa jornada.

O que NÃO fazer em casos de alienação parental

Alguns comportamentos, mesmo com boa intenção, podem prejudicar sua posição. Evite falar mal do outro genitor para a criança (mesmo que ele faça isso com você). Não use os filhos como mensageiros ou intermediários. Não tente “compensar” a alienação com presentes ou permissividade excessiva. Não faça denúncias sem embasamento documental. Não deixe de cumprir as determinações judiciais, mesmo quando o outro genitor descumpre as dele.

Cada um desses erros pode ser usado pelo narcisista para inverter os papéis e se apresentar como vítima, uma tática conhecida como DARVO (Deny, Attack, Reverse Victim and Offender), extremamente comum em personalidades narcisistas.

Vídeos recomendados do meu canal

Para aprofundar o tema, assista ao vídeo abaixo no meu canal:

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Perguntas frequentes

Alienação parental é crime no Brasil?

A alienação parental é tipificada como ato ilícito pela Lei 12.318/2010, podendo resultar em sanções civis e familiares, como alteração de guarda e multa. Porém, não é tipificada como crime no Código Penal. Projetos de lei sobre a criminalização da alienação parental tramitam no Congresso Nacional.

Como provar alienação parental praticada por narcisista?

A prova mais robusta é a perícia psicológica ou biopsicossocial determinada pelo juiz. Complementarmente, documentação de mensagens, relatórios de profissionais que acompanham a criança (psicólogos, escola, pediatra) e registros de descumprimento de regime de convivência fortalecem o caso. A consistência e a organização da documentação são fundamentais.

A guarda compartilhada protege contra alienação parental?

A guarda compartilhada é a modalidade preferencial na legislação brasileira (Lei 13.058/2014) e pode dificultar a alienação por garantir convivência equilibrada. No entanto, por si só, não impede a alienação. O narcisista pode praticar alienação parental mesmo na guarda compartilhada, especialmente por meio de campanha de desqualificação e manipulação emocional da criança.

Meu filho diz que não quer me ver. Isso é alienação?

Nem sempre. Crianças podem ter motivos legítimos para não querer visitar um genitor. Porém, quando a recusa é repentina, acompanhada de falas que parecem “ensaiadas” ou reproduzem discurso adulto, e coincide com a influência do outro genitor, a possibilidade de alienação deve ser investigada por profissional qualificado.

Homens também sofrem alienação parental?

Sim. Embora a maioria das pesquisas sobre abuso narcisista envolva mulheres como vítimas, a alienação parental atinge homens e mulheres. Na análise dos 58.143 comentários do canal Quebrando as Algemas, relatos de pais (homens) impedidos de conviver com seus filhos apareceram de forma recorrente e com grande carga emocional.

Alienação parental é crime no Brasil?
A alienação parental é tipificada como ato ilícito pela Lei 12.318/2010, podendo resultar em sanções civis e familiares, como alteração de guarda e multa. Porém, não é tipificada como crime no Código Penal. Projetos de lei sobre a criminalização da alienação parental tramitam no Congresso Nacional.
Como provar alienação parental praticada por narcisista?
A prova mais robusta é a perícia psicológica ou biopsicossocial determinada pelo juiz. Complementarmente, documentação de mensagens, relatórios de profissionais que acompanham a criança (psicólogos, escola, pediatra) e registros de descumprimento de regime de convivência fortalecem o caso. A consistência e a organização da documentação são fundamentais.
A guarda compartilhada protege contra alienação parental?
A guarda compartilhada é a modalidade preferencial na legislação brasileira (Lei 13.058/2014) e pode dificultar a alienação por garantir convivência equilibrada. No entanto, por si só, não impede a alienação. O narcisista pode praticar alienação parental mesmo na guarda compartilhada, especialmente por meio de campanha de desqualificação e manipulação emocional da criança.
Meu filho diz que não quer me ver. Isso é alienação?
Nem sempre. Crianças podem ter motivos legítimos para não querer visitar um genitor. Porém, quando a recusa é repentina, acompanhada de falas que parecem “ensaiadas” ou reproduzem discurso adulto, e coincide com a influência do outro genitor, a possibilidade de alienação deve ser investigada por profissional qualificado.
Homens também sofrem alienação parental?
Sim. Embora a maioria das pesquisas sobre abuso narcisista envolva mulheres como vítimas, a alienação parental atinge homens e mulheres. Na análise dos 58.143 comentários do canal Quebrando as Algemas, relatos de pais (homens) impedidos de conviver com seus filhos apareceram de forma recorrente e com grande carga emocional.

Leia também

Quando procurar ajuda médica

Embora grey rock seja uma ferramenta valiosa de autopreservação, há momentos em que você deve procurar apoio profissional. Você deve considerar consultar um profissional de saúde se:

  • Está experimentando sintomas de depressão, ansiedade ou transtorno do estresse pós-traumático
  • Tem pensamentos de automutilação ou suicídio
  • A situação envolve abuso físico ou ameaças de violência
  • Está tendo dificuldade em funcionar no dia a dia (trabalho, higiene pessoal, relacionamentos outros)
  • Sente-se preso sem saber como sair da situação
  • Está abusando de substâncias como forma de lidar com o estresse
  • Tem sintomas físicos persistentes (insônia, dores de cabeça, problemas digestivos) que não respondem a tratamento

A saúde mental é tão importante quanto a saúde física. Se você está lutando, procure ajuda — não é fraqueza, é sensatez.

Você não precisa enfrentar isso sozinho

Se você está navegando as complexidades de um relacionamento com os sintomas descritos podem estar associados a dinâmicas narcisistas, suporte profissional pode fazer uma diferença significativa. Como médico especialista em clínica médica, ofereço atendimento por telemedicina para ajudá-lo a lidar com os impactos físicos e emocionais dessa situação em sua saúde geral.

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Dr. Anderson Contaifer de Carvalho
Médico | CRM-SC 24.484 | RQE 18.790
Especialista em Clínica Médica | Telemedicina

Aviso importante

Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. Não substitui consulta médica, psicológica ou jurídica individualizada. Se você ou alguém que você conhece está em situação de risco, procure ajuda profissional imediatamente.

📚 Base científica deste artigo

Este artigo é baseado em evidências científicas publicadas em periódicos revisados por pares:

  • Ronningstam, E. (2005). “Identifying and Understanding the Narcissistic Personality.” Oxford University Press. Referência fundamental sobre a personalidade narcisista e seus subtipos clínicos.DOI: 10.1093/oso/9780195148732.001.0001
  • Campbell, W. K., & Miller, J. D. (2011). “The Handbook of Narcissism and Narcissistic Personality Disorder.” Wiley. Compêndio abrangente sobre narcisismo patológico e suas manifestações.DOI: 10.1002/9781118093108
  • Pincus, A. L., et al. (2009). “Initial construction and validation of the Pathological Narcissism Inventory.” Psychological Assessment, 21(3), 365-379. Estudo que estabeleceu critérios mensuráveis para narcisismo patológico.DOI: 10.1037/a0016530
  • McBride, K. (2008). “Will I Ever Be Good Enough? Healing the Daughters of Narcissistic Mothers.” Atria Books. Referência sobre o impacto de mães narcisistas nos filhos.
  • Shaw, D. (2014). “Traumatic Narcissism: Relational Systems of Subjugation.” Routledge. Análise do narcisismo traumático nas relações familiares e seus efeitos geracionais.DOI: 10.4324/9781315888934
  • Walker, P. (2013). “Complex PTSD: From Surviving to Thriving.” Azure Coyote. Guia prático de recuperação do TEPT complexo com exercícios terapêuticos.

Referências Científicas

  1. American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª ed. revisada, 2022.
  2. Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão, 2022.
  3. Campbell, W. K.; Miller, J. D. The Handbook of Narcissism and Narcissistic Personality Disorder. John Wiley & Sons, 2011.
  4. Gardner, R. A. The Parental Alienation Syndrome. Creative Therapeutics, 1998.
  5. Brasil. Lei nº 12.318/2010 — Lei de Alienação Parental.
AC

Dr. Anderson Contaifer de Carvalho

Médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484 | RQE 18.790). Produz material educativo que ajuda vítimas de relacionamentos abusivos com pessoas tóxicas e narcisistas, bem como auxiliando no tratamento de TEPT-C (Transtorno de estresse pós-traumático complexo). Criador do programa Quebrando as Algemas.

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Dr. Anderson Contaifer

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Criador do blog Quebrando as Algemas, dedicado a oferecer informação médica de qualidade sobre narcisismo e os impactos do abuso emocional com o olhar da especialidade clínica médica. Atendimento exclusivo por telemedicina.

Sobre o autor

Dr. Anderson Contaifer de Carvalho é médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484 | RQE 18.790), formado pela EMESCAM em 2012, com título de especialista em clínica médica pela SBCM em 2019. Possui pós-graduação em Saúde da Família, Nutrologia e Medicina Intensiva, além de certificações ACLS e ATLS. É o criador do Quebrando as Algemas, programa dedicado à recuperação de vítimas de abuso narcisista, um dos poucos médicos com CRM ativo atuando neste nicho no Brasil. Certificado Excelência Doctoralia 2025.

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