Narcisista perverso: o que a ciência diz sobre o narcisismo maligno

Narcisista perverso: narcisismo maligno e abuso psicológico em relacionamentos
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Dr. Anderson Contaifer

Médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484 | RQE de clínica médica 18.790), com formação pela EMESCAM (Escola de ciências Médicas da Santa Casa de Misericórida de Vitória - ES) e titulação em clínica médica pela SBCM (Sociedade Brasileira de Clínica Médica). Atua na recuperação médica e emocional de vítimas de abuso narcisista, produzindo conteúdos educativos nas redes sociais. Criador do Programa Quebrando as Algemas, curso para recuperação do abuso narcisista. Possui mais de 200 mil seguidores em redes sociais, criador do Blog Quebrando as Algemas que oferece conteúdo baseado em evidências científicas sobre narcisismo patológico, gaslighting, trauma bonding e TEPT-C. Possui Certificado de Excelência Doctoralia 2025.

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Definição Rápida

Narcisista perverso: O narcisista perverso (ou narcisista maligno) representa a forma mais destrutiva de narcisismo patológico, combinando grandiosidade narcisista com traços antissociais, sadismo e paranoia. Diferente de outros subtipos, o narcisista perverso obtém prazer consciente no sofrimento alheio e utiliza a crueldade deliberada como ferramenta de controle e dominação. Dr. Anderson Contaifer, médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484)

A contribuição de Marie-France Hirigoyen

Em paralelo às formulações de Otto Kernberg sobre o narcisismo maligno, a psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen publicou em 1998 a obra Le Harcèlement moral: la violence perverse au quotidien, que se tornou referência clínica internacional. Hirigoyen cunhou o termo narcisista perverso para descrever exatamente o subtipo aqui discutido, aquele que pratica abuso com plena consciência da destrutividade que produz, frequentemente derivando prazer ativo do sofrimento alheio.

A contribuição de Hirigoyen amplia o conceito de Kernberg ao detalhar os mecanismos cotidianos do abuso perverso: as estratégias verbais, a inversão moral sistemática, a destruição lenta e premeditada da identidade da vítima. A obra é hoje considerada texto fundador da psiquiatria do assédio moral cotidiano e influenciou legislações sobre violência psicológica em diversos países.

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O termo “narcisista perverso” se popularizou nas redes sociais e em livros de autoajuda, mas poucos sabem que ele tem origem na especialistas francesa e descreve um subtipo específico e particularmente destrutivo de narcisismo. Como médico que atende centenas de pacientes em recuperação de abuso narcisista, vou explicar o que a ciência realmente diz sobre esse perfil.

Diferente do narcisista perverso, que age de forma aberta e agressiva, o narcisista oculto utiliza estratégias mais sutis, como vitimismo crônico e manipulação emocional indireta, o que pode tornar o abuso ainda mais confuso para a vítima.

Diferente do narcisista “clássico”, que busca admiração e validação, o narcisista perverso encontra prazer na degradação do outro. Sua motivação central não é ser admirado, mas exercer poder através da destruição emocional sistemática de quem está ao seu redor.

Aspecto Narcisista Clássico Narcisista Perverso (Maligno)
Motivação central Busca admiração e validação externa Obtém prazer da destruição emocional do outro
Uso de manipulação Para obter controle e atenção Calculada visando vulnerabilidades da vítima
Remorso Pode sentir desconforto quando exposto Ausência genuína de remorso , prazer no dano causado
Traços associados TPN predominante TPN combinado com traços antissociais e sádicos
Impacto na vítima TEPT, depressão e ansiedade TEPT Complexo severo com risco de ideação suicida

Fonte: Kernberg, O. F. (2004). Aggressivity, Narcissism, and Self-Destructiveness. Yale University Press , Conteúdo baseado nas informações deste artigo

O que é o narcisismo perverso?

O conceito de “perversão narcísica” foi introduzido pelo psicanalista francês Paul-Claude Racamier em 1987. Racamier descreveu um perfil de personalidade que se alimenta do sofrimento alheio, uma forma de narcisismo onde a pessoa constrói seu senso de self às custas da destruição psíquica do outro.

Na classificação do DSM-5-TR, o termo “narcisista perverso” não existe como categoria diagnóstica formal. O que chamamos de narcisista perverso geralmente corresponde ao que a especialistas classifica como Transtorno de Personalidade Narcisista com traços antissociais e sádicos, uma combinação particularmente perigosa.

Base científica: O conceito de narcisismo maligno foi originalmente proposto por Otto Kernberg (1989, 1998), que o definiu como uma síndrome composta por: grandiosidade patológica, deficit de empatia, agressividade/sadismo e traços antissociais. Diferentemente da psicopatia pura, a agressão do narcisista maligno é reativa , desencadeada por feridas narcísicas (críticas, rejeição, exposição). Caligor, Levy e Yeomans (2015), em artigo publicado no American Journal of Psychiatry, reforçaram que o narcisismo maligno inclui prazer sádico no sofrimento alheio e ausência de remorso genuíno, estando associado à violência entre parceiros íntimos e à agressão sexual.

Alguns autores, como Otto Kernberg, descrevem esse perfil como parte do espectro do narcisismo maligno, que inclui: narcisismo patológico, comportamento antissocial, agressividade egossintônica e traços paranoides.

Narcisista perverso vs. Narcisista grandioso: Qual a diferença?

Embora ambos compartilhem a base narcisista, falta de empatia, grandiosidade e exploração interpessoal, existem diferenças fundamentais:

O narcisista grandioso quer ser admirado. Sua motivação principal é manter uma autoimagem de superioridade. Quando fere alguém, geralmente é um efeito colateral da sua busca por validação, não o objetivo em si.

Pesquisas recentes em network analysis sustentam esta distinção. Gori e Topino (2025), em estudo publicado no Clinical Psychology & Psychotherapy, analisaram os critérios do DSM-5-TR para o Transtorno de Personalidade Narcisista junto a 376 profissionais de saúde mental. Identificaram que a necessidade de admiração é o critério central (betweenness centrality: 0,50) e que os critérios se agrupam em duas dimensões: autorreferencial (grandiosidade, senso de direito, admiração) e interpessoal (exploração, falta de empatia, arrogância). No narcisista maligno, a dimensão interpessoal é dominante. Ableidinger et al. (2024), publicado no Psychiatric Quarterly, demonstraram em amostra internacional que o narcisismo maligno se caracteriza pela combinação de narcisismo grandioso com traços psicopáticos e maquiavélicos , a chamada Tríade Sombria (Dark Triad).

O narcisista perverso quer dominar e destruir. Sua motivação é o exercício de poder através da degradação do outro. Ele sente prazer consciente ou inconsciente ao ver o sofrimento que causa. Para ele, a dor do outro é a confirmação do seu poder.

Essa distinção é clinicamente importante porque o narcisista perverso representa um risco significativamente maior para a saúde física e mental das vítimas.

Características do narcisista perverso

1. Manipulação calculada e sistemática

Diferente do narcisista grandioso que manipula de forma reativa, o narcisista perverso planeja suas manipulações. Ele estuda as vulnerabilidades da vítima e as usa estrategicamente para manter controle.

2. Prazer no sofrimento alheio (sadismo emocional)

O narcisista perverso experimenta satisfação ao causar dor emocional. Isso pode se manifestar como humilhações públicas calculadas, punições emocionais desproporcionais ou retirada de afeto como forma de controle.

3. Gaslighting extremo

O gas​lighting do narcisista perverso vai além de negar eventos ou distorcer fatos. Ele sistematicamente destrói a percepção de realidade da vítima, fazendo-a questionar sua própria sanidade, memória e valor como ser humano.

4. Dupla face convincente

Uma das características mais marcantes é a capacidade de manter uma persona pública impecável. Para o mundo exterior, o narcisista perverso frequentemente parece encantador, carismático e até generoso. A destruição acontece em privado, o que dificulta que a vítima seja acreditada.

5. Isolamento progressivo da vítima

O narcisista perverso trabalha metodicamente para isolar a vítima de sua rede de apoio, família, amigos, colegas. Quanto mais isolada a vítima, maior o controle que ele exerce.

6. Ciclos de idealização e descarte intensificados

Os ciclos de love bombing seguido de desvalorização são mais extremos e violentos. O descarte é frequentemente acompanhado de campanhas de difamação.

7. Ausência de remorso genuíno

Diferente do narcisista grandioso que pode sentir remorso superficial, o narcisista perverso raramente demonstra arrependimento genuíno. Quando pede desculpas, é uma tática estratégica, não uma expressão de empatia.

O impacto na saúde das vítimas

As consequências de conviver com um narcisista perverso são devastadoras e bem documentadas na literatura médica:

TEPT-C (Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo): a exposição prolongada ao abuso causa trauma complexo, com sintomas de hipervigilância, flashbacks, dissociação e dificuldades de regulação emocional
Depressão severa: a destruição sistemática da auto​estima frequentemente resulta em episódios depressivos graves
Transtornos de ansiedade: o estado constante de alerta gera quadros ansiosos crônicos
Somatização: dores crônicas, problemas gastrointestinais, cefaleias tensionais e alterações imunológicas
Ideação suicida: em casos graves, a vítima pode desenvolver pensamentos suicidas como resultado do abuso prolongado

Gerrans et al. (2026), em revisão publicada no European Journal of Psychotraumatology, propuseram um modelo neurocognitivo do TEPT Complexo baseado em automodelamento preditivo. Os autores demonstraram que o trauma interpessoal prolongado , como o convívio com um narcisista maligno , causa alterações neurobiológicas nos sistemas límbico, de saliência e pré-frontal, resultando em desregulação afetiva, autoconceito negativo e dificuldades relacionais. Gelezelyte, Guogaite e Kazlauskas (2025), no mesmo periódico, demonstraram que a vergonha relacionada ao trauma modera a relação entre TEPT-C e ideação suicida: em amostra de 300 adultos em busca de tratamento, 45,7% preenchiam critérios para TEPT-C provável e 45% reportaram ideação suicida , evidenciando a gravidade do impacto na saúde mental das vítimas.

A questão legal: Narcisismo perverso e a lei Maria da Penha

No Brasil, a violência psicológica é reconhecida pela Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) como forma de violência doméstica. A Lei 14.188/2021 tipificou especificamente a violência psicológica contra a mulher como crime (Art. 147-B do Código Penal).

Os comportamentos do narcisista perverso, gaslighting, isolamento, humilhação, controle coercitivo, se enquadram na definição legal de violência psicológica. Isso significa que a vítima tem amparo legal para buscar proteção.

Como se proteger e buscar recuperação

1. Reconheça o padrão

O primeiro passo é o mais difícil: reconhecer que o que você vive é abuso. O narcisista perverso é extremamente hábil em normalizar comportamentos destrutivos.

2. Contato zero

Com um narcisista perverso, o contato zero não é apenas recomendável, é essencial. Qualquer contato mantido é uma porta aberta para manipulação.

3. Busque apoio profissional especializado

A recuperação do abuso narcisista perverso geralmente requer acompanhamento profissional. Um especialista ou psicólogo familiarizado com trauma e abuso narcisista pode fazer toda a diferença no processo de recuperação.

4. Documente tudo

Se você está em um relacionamento com um narcisista perverso, mantenha registros de mensagens, comportamentos e incidentes. Essa documentação pode ser crucial caso você precise de proteção legal.

5. Reconstrua sua rede de apoio

Reconecte-se com família e amigos dos quais foi afastada. O isolamento é a principal arma do narcisista perverso, romper esse isolamento É preciso para a recuperação.

Considerações finais

O narcisista perverso representa o extremo mais destrutivo do espectro narcisista. Se você reconheceu neste artigo alguém com quem convive ou conviveu, saiba que o que você passou não é culpa sua e que a recuperação é possível com o apoio adequado.

A violência emocional do narcisista perverso é real, documentada e tem amparo legal no Brasil. Você não está sozinha, e não precisa enfrentar isso sem ajuda.

Dr. Anderson Contaifer
Médico e especialista em clínica médica
Médico e especialista em clínica médica | CRM/SC 24484 | RQE de clínica médica 18790

Referências científicas

1. Racamier PC. Les schizophrènes. Paris: Payot; 1980.
2. Kernberg OF. Aggressivity, narcissism, and self-destructiveness in the psychotherapeutic relationship. Yale University Press; 2004.
3. American Psychiatric Association. DSM-5-TR. Washington, DC: APA; 2022.
4. Hare RD. Without conscience: the disturbing world of the psychopaths among us. Guilford Press; 1999.
5. Brasil. Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). Diário Oficial da União; 2006.
6. Brasil. Lei 14.188/2021. Tipifica o crime de violência psicológica contra a mulher. Diário Oficial da União; 2021.

Kernberg, O.F. (1989). The Narcissistic Personality Disorder and the Differential Diagnosis. Psychiatric Clinics, 12(3), 553-570.

Caligor, E., Levy, K.N., & Yeomans, E.E. (2015). Narcissistic Personality Disorder: Diagnostic Challenges and Treatment. American Journal of Psychiatry, 172(5), 415-422.

Gori, A. & Topino, E. (2025). DSM-5-TR Criteria and Domains for NPD: Evidence From Network Analysis. Clinical Psychology & Psychotherapy.

Ableidinger, R.M., et al. (2024). Identification of the Core Characteristics of Vulnerable Narcissism and Its Association With the Dark Triad. Psychiatric Quarterly, 95, 443-431.

Hörz-Sagstetter, S., et al. (2018). Clinical Characteristics of Comorbid NPD in Patients With BPD. Journal of Personality Disorders, 32(4), 365-375.

Miller, J.D., et al. (2016). Thinking Structurally About Narcissism. Journal of Personality Disorders, 30(3), 335-346.

Gerrans, P., et al. (2026). A neurocognitive account of complex PTSD. European Journal of Psychotraumatology, 17(1), 2631358.

Gelezelyte, O., et al. (2025). Trauma-related shame and depression moderate CPTSD and suicidal ideation. European Journal of Psychotraumatology, 17(1), 2604994.

Leia também

Precisa de ajuda profissional? Conheça o tratamento médico especializado para vítimas de abuso narcisista.

Veja também:Como terminar com um narcisista

A combinação de traços narcisistas com traços antissociais e sádicos torna o prognóstico significativamente mais reservado. Embora a mudança não seja impossível, ela é extremamente rara, pois requer que a pessoa reconheça seu padrão e tenha motivação genuína para mudar, duas coisas que esse perfil sistematicamente evita.
Narcisista perverso é psicopata?
Existe sobreposição, mas não são sinônimos. O narcisista perverso compartilha com o psicopata a falta de empatia e a tendência à manipulação, mas difere na motivação: o psicopata é mais instrumental (manipula para obter algo), enquanto o narcisista perverso é mais relacional (manipula para dominar e destruir emocionalmente).
Filhos de narcisistas perversos: Como ficam?
Crianças criadas por narcisistas perversos estão em risco significativo de desenvolver TEPT-C, transtornos de apego, dificuldades de regulação emocional e padrões relacionais disfuncionais. O acompanhamento profissional precoce é fundamental.

Quando procurar ajuda médica

Embora grey rock seja uma ferramenta valiosa de autopreservação, há momentos em que você deve procurar apoio profissional. Você deve considerar consultar um profissional de saúde se:

Aquilo que pareça descontrole pode ser na verdade libertação.

  • Está experimentando sintomas de depressão, ansiedade ou transtorno do estresse pós-traumático
  • Tem pensamentos de automutilação ou suicídio
  • A situação envolve abuso físico ou ameaças de violência
  • Está tendo dificuldade em funcionar no dia a dia (trabalho, higiene pessoal, relacionamentos outros)
  • Sente-se preso sem saber como sair da situação
  • Está abusando de substâncias como forma de lidar com o estresse
  • Tem sintomas físicos persistentes (insônia, dores de cabeça, problemas digestivos) que não respondem a tratamento

A saúde mental é tão importante quanto a saúde física. Se você está lutando, procure ajuda , não é fraqueza, é sensatez.

Você não precisa enfrentar isso sozinho

Se você está navegando as complexidades de um relacionamento com os sintomas descritos podem estar associados a dinâmicas narcisistas, suporte profissional pode fazer uma diferença significativa. Como médico especialista em clínica médica, ofereço atendimento por telemedicina para ajudá-lo a lidar com os impactos físicos e emocionais dessa situação em sua saúde geral.

O amor verdadeiro nunca te faz duvidar de teu próprio julgamento.

AC

Dr. Anderson Contaifer de Carvalho

Médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484 | RQE 18.790). Produz material educativo que ajuda vítimas de relacionamentos abusivos com pessoas tóxicas e narcisistas, bem como auxiliando no tratamento de TEPT-C (Transtorno de estresse pós-traumático complexo). Criador do programa Quebrando as Algemas.

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O que é narcisista perverso (maligno)?

O narcisista perverso (ou maligno) combina traços de narcisismo com sadismo e antissocialidade. Sente prazer no sofrimento alheio, manipula conscientemente e pode ser fisicamente violento. É considerado o subtipo mais perigoso do espectro narcisista, com maior resistência a tratamento.

Narcisista perverso é psicopata?

Embora compartilhem traços como falta de empatia e manipulação, são diagnósticos distintos. O narcisista perverso mantém necessidade de admiração e é vulnerável a feridas narcisistas. O psicopata (transtorno antissocial) tem ausência mais completa de emoções e remorso. Há sobreposição significativa nos casos mais graves.

Como se proteger de narcisista perverso?

A proteção exige: contato zero imediato (sem tentativas de diálogo), documentação de abusos para fins jurídicos, medidas protetivas se houver ameaças, apoio de advogado e psicólogo especializados em violência, plano de segurança e rede de apoio ativa. Nunca confronte diretamente um narcisista perverso.

Sobre o autor

Este artigo foi escrito pelo Dr. Anderson Contaifer, médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484 | RQE 18.790), único médico brasileiro com CRM ativo que atua na recuperação de vítimas de abuso narcisista. Formado pela EMESCAM (2012) com residência em Clínica Médica pela SBCM (2019) e certificado pela Excelência Doctoralia 2025. Para uma avaliação individual, agende sua consulta.

Referências Científicas Atualizadas

Artigos científicos recentes que fundamentam este conteúdo:

  1. The existential fracture model: reconceptualizing narcissistic personality disorder through a phenomenological-existenti (2026). DOI: 10.3389/fpsyt.2026.1771661
  2. Child, family, and narcissistic political leadership: a comparison of Hitler, Putin, and Trump (2025). DOI: 10.3389/fpsyg.2025.1579958
  3. Narcissistic Personality Disorder through psycholinguistic analysis and neuroscientific correlates (2024). DOI: 10.3389/fnbeh.2024.1354258
  4. Narcissistic and dependent traits and behavior in four archetypal 2-person, 2-choice games (2024). DOI: 10.3389/fpsyt.2023.1275403

Leia também: Narcisista: Como Identificar, Tipos e Estrategias de Protecao

Aviso: Este conteúdo é informativo e educacional, baseado em evidências científicas e experiência clínica. Não substitui consulta médica individualizada. Procure um profissional de saúde qualificado. Em situação de emergência, ligue 192 (SAMU) ou 188 (CVV). Conteúdo revisado por Dr. Anderson Contaifer — Médico Especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484 | RQE 18.790), com atuação em recuperação do abuso narcisista.

Perguntas Frequentes

Narcisista perverso é o mesmo que narcisista maligno?

São conceitos próximos, com origens distintas. Otto Kernberg (psicanálise americana) propôs o termo “narcisismo maligno”, combinação de narcisismo grandioso, traços antissociais, paranoia e prazer no sadismo. Marie-France Hirigoyen (psiquiatria francesa) propôs “narcisista perverso”, descrição clínica das estratégias cotidianas de abuso perverso. Ambos descrevem essencialmente o mesmo perfil clínico: o subtipo mais destrutivo do narcisismo.

O narcisista perverso/maligno pode ser tratado?

A literatura clínica é cética quanto à possibilidade de mudança real. Pacientes com TPN+traços antissociais raramente buscam tratamento por iniciativa própria, e quando o fazem, frequentemente é por estratégia (durante hoovering). Recursos como Terapia Focada na Transferência (Kernberg) e Terapia do Esquema têm sido propostos, mas com adesão difícil e prognóstico reservado.

Como diferenciar narcisista perverso de psicopata?

Há sobreposição, ambos têm prejuízo de empatia afetiva e prazer no controle. O psicopata (Transtorno de Personalidade Antissocial em forma severa) tem traços antissociais predominantes e baixa ansiedade. O narcisista perverso mantém o núcleo narcísico (necessidade de admiração, ferida narcísica) mas com componente sádico ativo. Na prática clínica, são quadros próximos, frequentemente com sobreposição.

Existe risco real para a vida da vítima?

Sim, especialmente em escalada. A literatura sobre violência doméstica grave documenta que casos com componente perverso/maligno apresentam maior risco de violência física, perseguição persistente após separação e, em casos extremos, feminicídio. Avaliação de risco é parte essencial do plano de afastamento.

O que fazer quando ninguém ao redor acredita?

Esta é uma das experiências mais difíceis. Estratégias clínicas: documentação minuciosa, busca de profissionais com experiência em violência doméstica e narcisismo, construção lenta de rede de apoio com pessoas neutras ao narcisista, e, importante, não tentar convencer aliados do agressor (frequentemente é tempo perdido).

Referências científicas

Este artigo foi revisado pelo Dr. Anderson Contaifer de Carvalho (CRM-SC 24.484 | RQE 18.790), médico especialista em Clínica Médica, com base nos seguintes estudos revisados por pares:

  1. Oliver et al.. Narcissism and Intimate Partner Violence: A Systematic Review and Meta-Analysis. Trauma, Violence, & Abuse. 2023 25(3):1871-1884. doi:10.1177/15248380231196115
  2. Page et al.. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ. 2021. doi:10.1136/bmj.n71
  3. Travers et al.. The effectiveness of interventions to prevent recidivism in perpetrators of intimate partner violence: A systematic review and meta-analysis. Clinical Psychology Review. 2021 84:101974. doi:10.1016/j.cpr.2021.101974
  4. Moor et al.. A systematic literature review of the relationship between dark personality traits and antisocial online behaviours. Personality and Individual Differences. 2019 144:40-55. doi:10.1016/j.paid.2019.02.027
  5. Ahn et al.. Psychological Interventions for Complex Post-traumatic Stress Disorder Symptoms: A Systematic Review. Journal of Korean Medical Science. 2025 40(43). doi:10.3346/jkms.2025.40.e279

Conteúdo médico educacional. Não substitui consulta presencial. Dúvidas clínicas devem ser discutidas com profissional habilitado.

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Se o que você leu aqui descreve a sua realidade, os sintomas tendem a se intensificar, não a melhorar, sem avaliação clínica adequada. Converse com um médico que entende o terreno.

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Dr. Anderson Contaifer - Médico Especialista em Clínica Médica

Dr. Anderson Contaifer

Médico Especialista em Clínica Médica
CRM-SC 24484 • RQE de Clínica Médica 18790

Criador do blog Quebrando as Algemas, dedicado a oferecer informação médica de qualidade sobre narcisismo e os impactos do abuso emocional com o olhar da especialidade clínica médica. Atendimento exclusivo por telemedicina.

Sobre o autor

Dr. Anderson Contaifer de Carvalho é médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484 | RQE 18.790), formado pela EMESCAM em 2012, com título de especialista em clínica médica pela SBCM em 2019. Possui pós-graduação em Saúde da Família, Nutrologia e Medicina Intensiva, além de certificações ACLS e ATLS. É o criador do Quebrando as Algemas, programa dedicado à recuperação de vítimas de abuso narcisista, um dos poucos médicos com CRM ativo atuando neste nicho no Brasil. Certificado Excelência Doctoralia 2025.

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