Dr. Anderson Contaifer (CRM-SC 24.484, RQE de Clínica Médica 18.790), médico especialista em Clínica Médica e criador do blog Quebrando as Algemas, atende por teleconsulta pacientes com sequelas de abuso narcisista e TEPT-C em todo o Brasil.
Resposta rápida
Este questionário é uma ferramenta educativa de rastreamento do TEPT complexo (CID-11 6B41), baseada numa tradução livre do International Trauma Questionnaire (ITQ). Você responde aos itens pensando nas últimas 4 semanas e o resultado aparece ao final. Ele não faz diagnóstico nem substitui avaliação profissional: um resultado sugestivo é um bom motivo para procurar avaliação, não uma conclusão.
Além disso, conteúdo de caráter exclusivamente informativo, em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023. Além disso, não substitui consulta médica, psicológica ou médica individualizada.
O teste de estresse pós-traumático complexo (TEPT-C) pode revelar marcas invisíveis do trauma.Muitas pessoas que viveram abuso narcisista ou outros tipos de trauma relacional crônico carregam marcas que vão além do emocional. Dessa forma, insônia, hipervigilância, dificuldade de confiar, sensação constante de fracasso, explosões emocionais ou entorpecimento, esses sintomas podem indicar algo mais profundo do que ansiedade ou depressão comuns.
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C) é um diagnóstico reconhecido pela Classificação Internacional de Doenças (ICD-11) da OMS desde 2022, e é especialmente relevante para vítimas de abuso emocional prolongado.
Neste Artigo
ToggleAntes de continuar, faça o teste rápido (12 perguntas)
Identifique sinais clínicos de TEPT-C e abuso narcisista no seu relacionamento. Avaliação educativa baseada em literatura científica, com resultado por email.
Você convive com um narcisista? 12 sinais clínicos
Em 3 minutos, identifique sinais clínicos compatíveis com abuso narcisista e TEPT-C (CID-11 6B41). Receba seu resultado por e-mail com orientações baseadas em prática clínica.
O que é o TEPT-C, estresse pós-traumático complexo?
Assim, o TEPT-C vai além do PTSD clássico. Assim, enquanto o PTSD envolve sintomas como flashbacks, evitação e hipervigilância após um evento traumático, o TEPT-C acrescenta uma camada de distúrbios na auto-organização (DSO), alterações profundas na forma como a pessoa regula emoções, se percebe e se relaciona com os outros.
Os três domínios do DSO são:
Desregulação afetiva: dificuldade em controlar emoções intensas, oscilações provocadas pela dinâmica de idealização e desvalorização do abuso, ou entorpecimento emocional.
Autoconceito negativo: vergonha internalizada, dúvida da própria percepção (gaslighting), sensação persistente de ser um fracasso ou de não ter valor.
Perturbações relacionais: dificuldade em confiar, medo de intimidade, sensação de desconexão das pessoas ao redor, frequentemente resultado do trauma bonding.
Por que o icd-11 e não o DSM-5?
Portanto, o DSM-5, manual americano amplamente usado, não reconhece oficialmente o TEPT-C como diagnóstico distinto. Na prática, apenas o ICD-11 (adotado pela OMS em 2022) inclui o TEPT-C como categoria diagnóstica separada do PTSD. Por exemplo, isso significa que muitas pessoas com trauma complexo são subdiagnosticadas quando avaliadas apenas pelos critérios do DSM-5.
O que é o ITQ?
Mas o International Trauma Questionnaire (ITQ) é o instrumento de autorrelato desenvolvido especificamente para rastrear e medir PTSD e TEPT-C segundo os critérios do ICD-11. Ou seja, foi desenvolvido por Cloitre, Shevlin, Brewin e colaboradores (2018) e é atualmente o padrão-ouro para pesquisa e prática clínica em trauma complexo.
Consequentemente, o ITQ é composto por 18 itens distribuídos em dois blocos: um para sintomas de PTSD e outro para os Distúrbios na Auto-Organização (DSO). Por isso, a escala vai de 0 (Nada) a 4 (Extremamente), é uma pontuação de 2 ou mais em um item é considerada positiva.
Como funciona a pontuação
Assim, o critério diagnóstico pelo ICD-11 via ITQ funciona assim:
É importante destacar que para PTSD: pelo menos 1 item positivo (≥2) em cada cluster (Re-experiência, Evitação e Ameaça Atual), mais indicação de prejuízo funcional.
Para TEPT-C: todos os critérios de PTSD acima, mais pelo menos 1 item positivo em cada domínio DSO (Desregulação Afetiva, Autoconceito Negativo e Perturbações Relacionais), mais indicação de prejuízo funcional nos DSO.
Importante: PTSD e TEPT-C são diagnósticos mutuamente exclusivos no ICD-11. Assim, se os critérios de ambos forem atingidos, o diagnóstico é de TEPT-C.
Faça o teste agora
O questionário abaixo é uma tradução livre do ITQ para fins de rastreamento. É importante destacar que responda cada item pensando em como você se sentiu nas últimas 4 semanas. Um ponto importante: o resultado é calculado automáticamente ao final.
Atenção: Este questionário é uma ferramenta de rastreamento. Ele não substitui avaliação profissional. Por isso, o resultado deve ser interpretado por um profissional de saúde mental qualificado.
O que fazer com o resultado?
Independentemente do resultado, se você reconhece esses sintomas na sua vida, considere buscar avaliação profissional. Sobretudo, o ITQ é uma ferramenta de rastreamento, ele aponta uma direção, mas o diagnóstico definitivo depende de avaliação clínica completa.
Para vítimas de abuso narcisista, o TEPT-C é especialmente relevante porque captura exatamente os três domínios DSO que são marcas características desse tipo de trauma relacional crônico: a desregulação emocional provocada pela dinâmica de idealização-desvalorização, a vergonha internalizada pelo gaslighting, é a dificuldade em confiar provocada pela traição repetida.
O artigo de Katalan et al. Especialmente, (2026) recomenda que o ITQ seja utilizado desde a avaliação inicial, pois diferenciar PTSD de TEPT-C impacta diretamente o planejamento terapêutico, especialmente a necessidade de uma fase de estabilização antes do processamento traumático.
Precisa de ajuda profissional? Conheça o tratamento clínico das repercussões do abuso narcisista.
O que um teste online consegue e não consegue dizer
O ITQ foi criado para rastrear TEPT e TEPT-C segundo a CID-11, e é bom nisso. Mas um estudo publicado em 2026 no European Journal of Psychotraumatology mostra por que o resultado deste teste não fecha diagnóstico. Os pesquisadores compararam as respostas ao ITQ com uma entrevista clínica estruturada, feita por psicólogos que não conheciam as respostas do questionário, em 108 veteranos militares dinamarqueses que procuravam tratamento.
- O questionário deu pontuações mais altas que a entrevista em todos os 12 itens.
- Quando a entrevista confirmava TEPT-C, o ITQ quase sempre já tinha apontado (93% dos casos). Mas parte dos resultados positivos do questionário não se confirmou na conversa com o clínico.
- Para TEPT clássico isolado, a concordância foi baixa.
Em linguagem simples: um resultado negativo aqui tranquiliza mais do que um positivo confirma. Se o seu resultado sugerir TEPT-C, ele é um bom motivo para procurar avaliação, não uma conclusão. O estudo tem limites importantes: amostra pequena, quase só de homens militares, num serviço em que o diagnóstico já era frequente, então os números não valem automaticamente para quem saiu de um relacionamento abusivo. (DOI: 10.1080/20008066.2026.2635917)
A importância do acompanhamento médico
O estresse pós-traumático complexo não afeta apenas a mente, ele afeta o corpo. Inclusive, o cortisol cronicamente elevado pode causar alterações físicas reais: distúrbios do sono, problemas gastrointestinais, dores crônicas, alterações hormonais e imunológicas.
Um acompanhamento em Clínica Médica com compreensão do trauma emocional permite avaliar essas repercussões e cuidar da saúde de forma integral, enquanto o trabalho psicoterapêutico avança em paralelo.
Referências:
Cloitre, M. Shevlin, M. Brewin, C.R. et al. (2018). Como resultado, the International Trauma Questionnaire: development of a self-report measure of ICD-11 PTSD and Complex PTSD. Além disso, acta Psychiatrica Scandinavica, 138(6), 536-546.
Katalan C. Unterrainer H-F. Gelo O.C.G. (2026). Dessa forma, psychotherapy for complex post-traumatic stress disorder: efficacy and therapeutic factors. Front. Psychol. 17:1684921.
ICD-11 WHO (2019).
Visão do médico
Na minha prática clínica, frequentemente atendo pacientes cujos sintomas descritos podem estar associados ao tema abordado neste artigo. O impacto na saúde física e mental é real e significativo.
Observo que pacientes expostos a dinâmicas narcisistas frequentemente apresentam alterações nos níveis de cortisol, comprometimento do sistema imunológico, distúrbios do sono e sintomas de ansiedade crônica. Esses são marcadores biológicos reais que precisam de atenção médica adequada.
A recuperação é possível e, na minha experiência, pacientes que combinam acompanhamento médico com suporte psicológico apresentam as melhoras mais consistentes. Cada pessoa tem seu próprio ritmo, e respeitar esse processo é fundamental.
Se você se identifica com o que foi descrito neste artigo, não hesite em buscar avaliação profissional. Cuidar da saúde é sempre uma decisão de coragem.
CRM-SC 24484 | RQE 18790 | Especialista em Clínica Médica | Telemedicina
Vídeos recomendados do meu canal
Para aprofundar o tema, assista ao vídeo abaixo no meu canal:
Acompanhe no Instagram
Acompanhe conteúdos exclusivos no meu Instagram @drandersoncontaifer. Publico diariamente informações baseadas em evidências sobre recuperação de relacionamentos abusivos.
Perguntas frequentes
Como o abuso narcisista afeta a saúde física?
O estresse crônico do abuso pode causar insônia, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, pressão arterial elevada, fadiga persistente e comprometimento do sistema imunológico. O corpo reflete o sofrimento emocional de formas muito concretas.
Quando devo procurar ajuda profissional?
Se você está experimentando sintomas persistentes de ansiedade, depressão, dificuldade para dormir, dores físicas sem explicação médica clara, ou se sente preso em um padrão de relacionamento prejudicial, é hora de buscar ajuda.
A telemedicina funciona para esse tipo de atendimento?
Sim. A consulta por telemedicina permite uma avaliação detalhada e a elaboração de um plano de tratamento personalizado, com a comodidade e privacidade que muitos pacientes necessitam.
É possível se recuperar completamente?
Sim. Com acompanhamento adequado, a maioria das pessoas consegue reconstruir sua saúde e qualidade de vida. O processo exige tempo e paciência, mas a melhora é consistente quando há suporte profissional.
O que diferencia o tratamento médico do tratamento psicológico?
O médico avalia e trata os impactos físicos do abuso, enquanto o psicólogo trabalha os aspectos emocionais e comportamentais. São abordagens complementares, que funcionam melhor quando caminham juntas.
Leia também
- Trauma bond: o que é, como identificar e como romper o vínculo traumático
- Técnica grey rock
- Narcisismo no trabalho: como identificar e lidar com um chefe ou colega narcisista
- Ciclo do abuso
- Gaslighting: o que é, sinais, consequências e como se proteger
- Contato zero com narcisista: guia médico completo
- Love bombing: a fase de idealização do narcisista
- Como saber se você é vítima de narcisista: 12 sinais clínicos
- Dependência emocional: como reconhecer e superar
- Hoovering: como resistir à retomada do agressor
- Recuperação do abuso narcisista: protocolo de 4 etapas
Quando procurar ajuda médica
Embora grey rock seja uma ferramenta valiosa de autopreservação, há momentos em que você deve procurar apoio profissional. Você deve considerar consultar um profissional de saúde se:
- Está experimentando sintomas de depressão, ansiedade ou transtorno do estresse pós-traumático
- Tem pensamentos de automutilação ou suicídio
- A situação envolve abuso físico ou ameaças de violência
- Está tendo dificuldade em funcionar no dia a dia (trabalho, higiene pessoal, relacionamentos outros)
- Sente-se preso sem saber como sair da situação
- Está abusando de substâncias como forma de lidar com o estresse
- Tem sintomas físicos persistentes (insônia, dores de cabeça, problemas digestivos) que não respondem a tratamento
A saúde mental é tão importante quanto a saúde física. Se você está lutando, procure ajuda, não é fraqueza, é sensatez.
Você não precisa enfrentar isso sozinho
Se você está navegando as complexidades de um relacionamento com os sintomas descritos podem estar associados a dinâmicas narcisistas, suporte profissional pode fazer uma diferença significativa. Como médico especialista em clínica médica, ofereço atendimento por telemedicina para ajudá-lo a lidar com os impactos físicos e emocionais dessa situação em sua saúde geral.
Converse comigo sobre sua situação e como proteger sua saúde
Agendar teleconsulta com Dr. Anderson Contaifer
Dr. Anderson Contaifer de Carvalho
Médico | CRM-SC 24.484 | RQE de Clínica Médica 18.790
Especialista em Clínica Médica | Telemedicina
Aviso importante
Aviso importante: Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. Não substitui consulta médica, psicológica ou jurídica individualizada. Se você ou alguém que você conhece está em situação de risco, procure ajuda profissional imediatamente.
Base científica deste artigo
Este artigo é baseado em evidências científicas publicadas em periódicos revisados por pares:
- Van der Kolk, B. (2014). "The Body Keeps the Score." Penguin Books., Efeitos do trauma no corpo e estratégias de recuperação.
- Herman, J. L. (2015). "Trauma and Recovery." Basic Books., Referência sobre recuperação de trauma complexo.
- Campbell, W. K., & Miller, J. D. (2011). "The Handbook of Narcissism and Narcissistic Personality Disorder." John Wiley & Sons.
- Resolução CFM 2.336/2023, Normas éticas para prática médica e atendimento telemédico.
Referências científicas
Este artigo foi revisado pelo Dr. Anderson Contaifer de Carvalho (CRM-SC 24.484 | RQE de Clínica Médica 18.790), médico especialista em Clínica Médica, com base nos seguintes estudos revisados por pares:
- Cloitre et al. (2018). The International Trauma Questionnaire: Development of a self-report measure of ICD-11 PTSD and complex PTSD. Acta Psychiatrica Scandinavica. 2018. doi:10.1111/acps.12956
- Karatzias et al. (2019). Psychological interventions for ICD-11 complex PTSD symptoms: systematic review and meta-analysis. Psychological Medicine. 2019. doi:10.1017/s0033291719000436
- Steinert et al. (2015). The course of PTSD in naturalistic long-term studies: High variability of outcomes. Nordic Journal of Psychiatry. 2015. doi:10.3109/08039488.2015.1005023
- Hien et al. (2024). Project harmony: A systematic review and network meta-analysis of psychotherapy and pharmacological interventions for trauma-related symptoms. Psychological Bulletin. 2024. doi:10.1037/bul0000409
- Hudays et al. (2022). Eye Movement Desensitization and Reprocessing versus Cognitive Behavior Therapy for Treating PTSD. IJERPH. 2022. doi:10.3390/ijerph192416836
Conteúdo médico educacional. Não substitui consulta presencial.
Referências científicas
Este artigo foi revisado pelo Dr. Anderson Contaifer de Carvalho (CRM-SC 24.484 | RQE de Clínica Médica 18.790), médico especialista em Clínica Médica, com base nos seguintes estudos revisados por pares:
- Karatzias et al.. Psychological interventions for ICD-11 complex PTSD symptoms: systematic review and meta-analysis. Psychological Medicine. 2019 49(11):1761-1775. doi:10.1017/s0033291719000436
- Hien et al.. Project harmony: A systematic review and network meta-analysis of psychotherapy and pharmacologic trials for comorbid posttraumatic stress, alcohol, and other drug use disorders. Psychological Bulletin. 2024 150(3):319-353. doi:10.1037/bul0000409
- Ribeiro et al.. Self-injurious thoughts and behaviors as risk factors for future suicide ideation, attempts, and death: a meta-analysis of longitudinal studies. Psychological Medicine. 2015 46(2):225-236. doi:10.1017/s0033291715001804
- Passos et al.. Inflammatory markers in post-traumatic stress disorder: a systematic review, meta-analysis, and meta-regression. The Lancet Psychiatry. 2015 2(11):1002-1012. doi:10.1016/s2215-0366(15)00309-0
- Hudays et al.. Eye Movement Desensitization and Reprocessing versus Cognitive Behavior Therapy for Treating Post-Traumatic Stress Disorder: A Systematic Review and Meta-Analysis. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2022 19(24):16836. doi:10.3390/ijerph192416836
Conteúdo médico educacional. Não substitui consulta presencial. Dúvidas clínicas devem ser discutidas com profissional habilitado.
Você reconhece os sinais do abuso narcisista?
Baixe gratuitamente o ebook 7 Sinais de que Você Vive com um Narcisista e entenda o que está acontecendo na sua vida.
Dr. Anderson Contaifer — Médico, CRM-SC 24.484
Leia também
Sensibilidade à rejeição e TDAH: o que a ciência sustenta e o que não Narcisista: como identificar, sinais de alerta e como se proteger (guia médico) Tratamento de silêncio é violência? O que uma revisão de 2026 mostra sobre ostracismo no relacionamento Névoa Mental e Problemas de Memória Após Abuso Narcisista
Você sofre ou sofreu abuso narcisista? O Dr. Anderson Contaifer pode ajudar.
Saiba mais sobre o tratamento medicoATENDIMENTO MÉDICO ON-LINE
Agende sua teleconsulta
Dr. Anderson Contaifer · Médico, especialista em Clínica Médica
CRM-SC 24.484 · RQE 18.790
Teleconsulta particular para adultos · 1 hora. Agende pelo WhatsApp com a equipe do Dr. Anderson. Consulte as condições de parcelamento antes de pagar.
Prefere escolher seu horário sozinho?
Abrir diretamente no Doctoralia ↗
Precisa parcelar? Consulte as condições com a equipe pelo WhatsApp.

Respostas de 2
Vejo necessidade de ser acompanhado, nesse tratamento. São mais de 30 anos de relações abusivas.
As minhas respostas foram mais direcionadas aos problemas que passei, tais como, vida ardua em outro pais, desemprego, doenca da minha Mae, a morte da minha gata. No meu relacionamento, o meu marido no comeco ficou preocupado e achou que eu estava exagerando, mas teve um momneto em que ele viu que era um caso mais serio e me deu o total suporte.