Abuso narcisista: o que é, sinais, as 4 fases e como sair (guia médico)

Porta entreaberta com luz dourada saindo do outro lado, simbolizando saída e recuperação após relacionamento abusivo
Foto de Dr. Anderson Contaifer

Dr. Anderson Contaifer

Médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484 | RQE de clínica médica 18.790), com formação pela EMESCAM (Escola de ciências Médicas da Santa Casa de Misericórida de Vitória - ES) e titulação em clínica médica pela SBCM (Sociedade Brasileira de Clínica Médica). Atua na recuperação médica e emocional de vítimas de abuso narcisista, produzindo conteúdos educativos nas redes sociais. Criador do Programa Quebrando as Algemas, curso para recuperação do abuso narcisista. Possui mais de 200 mil seguidores em redes sociais, criador do Blog Quebrando as Algemas que oferece conteúdo baseado em evidências científicas sobre narcisismo patológico, gaslighting, trauma bonding e TEPT-C. Possui Certificado de Excelência Doctoralia 2025.

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Dr. Anderson Contaifer (CRM-SC 24.484, RQE 18.790), médico especialista em Clínica Médica e criador do blog Quebrando as Algemas, atende por teleconsulta pacientes com sequelas clínicas e emocionais de relacionamentos abusivos e abuso narcisista em todo o Brasil. Este guia reúne, em linguagem clara, o que a literatura médica e psicológica mostra sobre o tema: definição, sinais, as fases do ciclo, os impactos no corpo e na mente, o que a lei brasileira diz e os caminhos de saída e cuidado.

As repercussões do abuso narcisista no corpo (insônia, taquicardia, fadiga, alterações de sono e peso) têm avaliação e acompanhamento médico.

Dr. Anderson Contaifer · Médico Especialista em Clínica Médica · CRM-SC 24.484 · RQE 18.790 · Teleconsulta (qualquer lugar do Brasil e do mundo)

Definição rápida

Atendimento médico

As repercussões do abuso narcisista no corpo (insônia, taquicardia, fadiga, alterações de peso e sono) têm avaliação e acompanhamento médico. O Dr. Anderson Contaifer, médico, especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484, RQE 18.790), atende por teleconsulta para todo o Brasil. Cada consulta é uma avaliação clínica individual.

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Abuso narcisista é um padrão crônico de manipulação interpessoal exercido por alguém com traços marcantes de personalidade narcisista, em particular falta de empatia, necessidade constante de admiração e tendência a explorar o outro como extensão de si [1][6]. Não é, em si, um diagnóstico psiquiátrico formal, e sim uma descrição clínica do impacto que a convivência repetida com esse padrão deixa na vítima. O sofrimento que resulta é real e, com frequência, se manifesta como Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C, código 6B41 na CID-11) [2][3], depressão, ansiedade e sintomas físicos persistentes.

O que é abuso narcisista, do ponto de vista clínico

O termo “abuso narcisista” é utilizado para descrever a relação assimétrica entre alguém com traços ou diagnóstico de Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN, descrito no DSM-5-TR) [1] e a pessoa que convive com ele de forma próxima, geralmente parceiro, filho, irmão, amigo ou subordinado profissional. Nessa relação, o outro tende a ser tratado como recurso afetivo, descrito por alguns autores como “fornecimento narcisista”, em vez de ser reconhecido como sujeito com necessidades próprias. Estudos com parceiros íntimos de pessoas com narcisismo patológico documentam exatamente esse padrão de disfunção relacional: crítica constante, controle, ausência de reciprocidade e desgaste progressivo da saúde mental de quem convive [7][8].

Importante separar conceitos. Nem toda pessoa difícil é narcisista, e nem todo conflito relacional é abuso. A distinção clínica está no padrão. No conflito comum há momentos de reparação, de empatia recíproca, de responsabilização. No abuso narcisista o padrão é cíclico, há ausência persistente de empatia e a culpa é sistematicamente projetada na vítima.

Aspecto Conflito comum de relacionamento Abuso narcisista
Reparação Existe pedido de desculpas genuíno e mudança de comportamento Desculpas raras, vazias ou seguidas de repetição do mesmo padrão
Empatia Recíproca, mesmo em desacordo Ausente ou usada de forma instrumental, só quando convém
Culpa Dividida conforme a situação Projetada sistematicamente na vítima, que vive se desculpando
Padrão no tempo Episódico, ligado a estressores identificáveis Cíclico e crônico: idealização, desvalorização, descarte, retorno
Efeito na identidade Preservada; a pessoa continua sabendo quem é Erosão progressiva da autoestima, da memória e da percepção de si
Liberdade de fala É possível discordar sem medo Sensação de “pisar em ovos” para evitar retaliação ou silêncio punitivo

Outra distinção útil: “narcisismo” como traço de personalidade é dimensional, ou seja, todos temos em algum grau. Transtorno de Personalidade Narcisista é uma categoria diagnóstica com critérios formais (presença de cinco ou mais dos nove critérios do DSM-5-TR, de forma persistente e generalizada) [1][6]. Abuso narcisista é o que acontece com quem convive com alguém com esses traços de forma intensa o suficiente para causar dano clínico mensurável.

Sinais comuns de abuso narcisista

Os sinais mais frequentemente relatados na clínica incluem:

  • Desvalorização constante disfarçada de “crítica construtiva”, ironia ou comparação com terceiros.
  • Sensação persistente de andar em campo minado, vigilância sobre o próprio comportamento para evitar reação desproporcional do outro.
  • Ciclos de aproximação intensa seguidos de afastamento ou silêncio punitivo.
  • Manipulação da percepção da realidade, com negação de fatos que a vítima sabe que aconteceram (guia médico sobre gaslighting) [9].
  • Inversão da culpa em discussões, conhecida como DARVO (guia médico sobre DARVO).
  • Uso de terceiros (filhos, família, amigos) para validar a versão do abusador e isolar a vítima, padrão chamado triangulação (guia médico sobre triangulação).
  • Episódios de reaproximação intensos após rompimento ou afastamento, geralmente com promessas e gestos românticos que voltam a se desfazer (guia médico sobre hoovering).
  • Erosão progressiva da autoestima e da identidade pessoal.
  • Sintomas físicos sem explicação médica clara: insônia, dores crônicas, taquicardia, alterações gastrointestinais, queda de cabelo.

Não é necessário ter todos esses sinais. A presença de alguns, somada à sensação persistente de exaustão emocional na relação, já merece avaliação cuidadosa. Se a dúvida for sobre o comportamento da outra pessoa (ou o seu próprio), o teste de narcisismo com 10 sinais baseados no DSM-5 e na CID-11 ajuda a organizar a percepção antes de uma avaliação profissional.

No canal do Dr. Anderson Contaifer no YouTube, este vídeo de educação ao paciente cobre, em linguagem clara, sintomas psicológicos comuns em pessoas que viveram relacionamentos com perfis de funcionamento narcisista (647 mil visualizações):

As 4 fases do ciclo do abuso narcisista

A literatura clínica descreve um ciclo recorrente em relacionamentos com pessoas de funcionamento narcisista patológico. Conhecer as fases é uma das formas mais eficazes de identificar o abuso, porque a vítima costuma reconhecer a própria história na sequência. O tema tem um guia médico próprio sobre o ciclo do abuso narcisista; aqui vai o resumo:

Fase O que acontece O que a vítima costuma sentir
1. Idealização (love bombing) Atenção intensa, gestos grandiosos, declarações precoces de amor ou afinidade “Encontrei a pessoa perfeita”, euforia, sensação de conexão única
2. Desvalorização Críticas, comparações, silêncios punitivos, retirada gradual de afeto Confusão, esforço para “voltar ao início”, dúvida sobre a própria sanidade
3. Descarte Retirada emocional abrupta ou prolongada, novo alvo, término desproporcional Choque, abandono, sensação de ter sido substituído do dia para a noite
4. Hoovering Tentativas de reaproximação com promessas, nostalgia do “começo bom” ou uso dos filhos Esperança de mudança, culpa por resistir, risco de reiniciar o ciclo

O ciclo não é linear. Pode se repetir várias vezes na mesma relação, com intensidades diferentes, ao longo de meses ou anos. O retorno do abusador é parte do ciclo, não o fim dele; o padrão está detalhado no guia médico sobre hoovering.

Táticas comuns que aparecem na clínica

Além das fases do ciclo, algumas táticas de manipulação se repetem com tanta frequência nos relatos que ganharam nome próprio na literatura [9][10]:

Tática Frase ou cena típica Efeito na vítima
Gaslighting “Isso nunca aconteceu, você está inventando”, “você é louca” Dúvida sobre a própria memória, percepção e sanidade
DARVO Confrontado, nega, ataca e termina a discussão como “vítima” de quem o confrontou A vítima sai da conversa se desculpando pelo que sofreu
Triangulação “Até a minha mãe acha que você exagera”, comparações com ex-parceiros Isolamento, ciúme induzido, sensação de estar sempre em julgamento
Stonewalling Dias de silêncio absoluto após uma demanda legítima Ansiedade, capitulação, pedido de desculpas por algo que não fez
Future faking Promessas grandiosas de casamento, viagem ou mudança que nunca se concretizam Esperança renovada que adia a decisão de sair
Trauma bonding Alternância imprevisível entre afeto intenso e frieza ou crueldade Vínculo parecido com dependência, difícil de romper mesmo sabendo do dano

Gaslighting está detalhado em guia médico sobre gaslighting, DARVO em guia médico sobre DARVO e triangulação em guia médico sobre triangulação narcisista. O trauma bonding é tratado na literatura como resposta neurobiológica à manipulação cíclica, não como fraqueza de caráter: a imprevisibilidade entre afeto e dor produz uma ligação difícil de romper, parecida com dependência.

Impactos clínicos e emocionais

O sofrimento decorrente de abuso narcisista crônico aparece tanto no corpo quanto na mente [7][11]. Os achados mais frequentes na prática clínica são:

Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C, CID-11 6B41). Resultado de exposição prolongada a trauma interpessoal do qual a fuga é difícil ou percebida como impossível [2][3][13]. Inclui os sintomas do TEPT clássico (reexperiência, evitação, hipervigilância) acrescidos de desregulação emocional intensa, autoconceito negativo profundo e dificuldades persistentes em relacionamentos. Detalhado no guia médico completo sobre TEPT-C; os 12 sinais do TEPT-C têm artigo próprio, e a triagem inicial pode ser organizada com o questionário ITQ validado para a CID-11 [14].

Ansiedade crônica e crises. Estado constante de “luta ou fuga”, com taquicardia, tensão muscular, dificuldade de relaxar, crises de pânico. Avaliação possível com instrumentos como GAD-7.

Depressão. Pode aparecer como exaustão emocional, perda de interesse, ideação suicida em casos graves. Avaliação possível com instrumentos como PHQ-9. Sempre deve ser conduzida por profissional.

Somatização. Sintomas físicos sem explicação médica suficiente, como dores crônicas, problemas gastrointestinais, queda de cabelo, alterações de pele, distúrbios do sono. A exposição prolongada a adversidade relacional está associada a piores desfechos de saúde física ao longo da vida, um achado consistente desde o estudo ACE [11].

Alterações na vida sexual. Mudanças de libido, flashbacks sexuais, vergonha sexual, dificuldade de retomar intimidade depois do rompimento. Detalhado em guia sobre retomar a intimidade e em flashbacks sexuais e TEPT-C após abuso narcisista.

Mudança na percepção de si. Vítimas frequentemente descrevem “não saber mais quem são”, como se a identidade tivesse sido erodida.

Um exemplo de como o trauma por abuso narcisista pode se manifestar no corpo, em conteúdo curto no Instagram do Dr. Anderson Contaifer:

Abuso narcisista é crime?

O termo “abuso narcisista” não existe como tipo penal no Brasil, mas boa parte das condutas que o compõem é crime ou é reconhecida como violência pela lei. O enquadramento jurídico moderno entende esse padrão como controle coercitivo: um cerco progressivo de dominação, isolamento e vigilância, e não apenas episódios isolados de agressão [10].

  • Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). Reconhece expressamente a violência psicológica contra a mulher no contexto doméstico e familiar: condutas que causem dano emocional, diminuição da autoestima, degradação, controle, humilhação, isolamento, vigilância constante e chantagem. Permite medidas protetivas de urgência mesmo sem violência física.
  • Crime de violência psicológica (art. 147-B do Código Penal, incluído pela Lei 14.188/2021). Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento, ou que vise a degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à saúde psicológica e autodeterminação. Pena de reclusão de 6 meses a 2 anos.
  • Perseguição ou stalking (art. 147-A do Código Penal, Lei 14.132/2021). Perseguir alguém, por qualquer meio, ameaçando a integridade física ou psicológica, restringindo a locomoção ou invadindo a privacidade. Vale para qualquer vítima, homem ou mulher.
  • Outros enquadramentos. Ameaça (art. 147), injúria, difamação e calúnia podem se aplicar a episódios específicos. Na esfera cível, cabe indenização por dano moral. Homens vítimas também têm proteção pelos tipos penais gerais; o tema tem guia médico próprio sobre homens vítimas de abuso narcisista.

Registro de boletim de ocorrência, medidas protetivas e ação penal são caminhos que devem ser avaliados com advogado ou Defensoria Pública. Do lado médico, o registro clínico adequado das repercussões na saúde pode ser usado como elemento de prova. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação jurídica.

Como reconhecer se você está vivendo isso

Alguns indicadores práticos, sem pretender substituir avaliação profissional:

  • Você se sente exausto após interações com essa pessoa, mesmo quando não há briga aparente.
  • Você passou a evitar tópicos, a “pisar em ovos” para não provocar reação desproporcional.
  • Quando tenta falar sobre suas necessidades, a conversa é desviada e termina com você se desculpando.
  • Você sente que precisa justificar lembranças que sabe que aconteceram.
  • Pessoas próximas a você comentam que você “mudou”, “está diferente”, “ficou ausente”.
  • Sintomas físicos surgiram ou se intensificaram desde que a relação começou.

Nenhum desses itens isolado fecha um quadro. O conjunto, sustentado no tempo, sim.

Como sair e como se recuperar do abuso narcisista

A saída de uma relação com abuso narcisista raramente é simples, e raramente é linear. Recaídas no contato, dúvidas sobre a própria percepção e momentos de saudade do “começo bom” são parte do processo, não falhas pessoais.

O caminho descrito na literatura e na prática clínica costuma envolver quatro pilares, descritos em detalhe no guia médico completo sobre como se recuperar do abuso narcisista:

1. Segurança. Estabelecimento de contato zero ou de contato mínimo controlado, quando há filhos ou vínculos legais. Avaliação de risco quando há histórico de violência física ou de ameaça. O guia do contato zero detalha o método.

2. Regulação do corpo. Tratamento da hiperativação fisiológica do sistema nervoso. Sono, alimentação, exercício, técnicas de regulação, medicação quando indicada [12].

3. Reconstrução do eu. Trabalho terapêutico para resgatar autoestima, identidade, valores, preferências que ficaram suprimidos durante a relação [5].

4. Acompanhamento de longo prazo. Recuperação leva tempo. Padrões neurobiológicos formados ao longo de meses ou anos não se desfazem em semanas. A recuperação não significa “esquecer” o que aconteceu, e sim deixar de viver em torno disso. Os prazos realistas estão em quanto tempo leva para se recuperar do abuso narcisista.

O que ajuda na recuperação O que atrapalha
Contato zero ou contato cinza estruturado Manter “só uma amizade” ou responder mensagens esporádicas
Psicoterapia focada em trauma (TCC-T, EMDR) [12] Esperar que o tempo resolva sozinho, sem tratamento
Avaliação médica dos sintomas físicos e do sono Normalizar insônia, dores e crises como “frescura” ou “estresse”
Rede de apoio informada sobre o ciclo do abuso Isolamento e vergonha de contar o que aconteceu
Registrar fatos por escrito (linha do tempo, mensagens) Rebater as memórias sozinho contra o gaslighting, sem registro
Rotina de sono, alimentação e exercício como base fisiológica Álcool e outras “válvulas de escape” para anestesiar sintomas

Qual médico procurar e como funciona o cuidado

Não existe especialidade médica formal “em abuso narcisista” no Brasil. Esse não é um diagnóstico psiquiátrico autônomo. O que se trata são as consequências clínicas e emocionais do abuso, como TEPT-C, depressão, ansiedade, somatização e disfunção em diferentes sistemas.

O cuidado costuma ser multiprofissional:

  • Médico (clínica médica ou psiquiatria). Avalia sintomas físicos, sono, humor, indica exames quando necessário, prescreve medicação quando indicada, organiza encaminhamentos. Como funciona esse atendimento está descrito em consulta médica para quem sofreu abuso narcisista.
  • Psicólogo. Conduz a psicoterapia, que é o eixo do tratamento das sequelas emocionais. Abordagens com base evidente para trauma incluem TCC focada em trauma e EMDR adaptado [12].
  • Psiquiatra. Indicado quando há quadros mais graves de depressão, ansiedade, ideação suicida ou comorbidades.
  • Outros profissionais. Nutrólogo, fisioterapeuta, ginecologista, podem entrar conforme os sintomas físicos predominantes.

Perguntas frequentes

O que é abuso narcisista?

É um padrão crônico de manipulação e exploração emocional exercido por alguém com traços marcantes de narcisismo patológico, caracterizado por falta de empatia, desvalorização cíclica e projeção de culpa na vítima. Não é diagnóstico psiquiátrico; é a descrição do padrão relacional que causa dano clínico real em quem convive com ele.

Como identificar um abuso narcisista?

Pelo padrão, não por episódios isolados: desvalorização constante, sensação de “pisar em ovos”, ciclos de idealização e descarte, gaslighting (negação de fatos que você sabe que aconteceram), inversão de culpa e erosão da autoestima. Se vários desses sinais se sustentam no tempo e você sai das interações exausto, o quadro merece avaliação. O teste de narcisismo com 10 sinais clínicos ajuda a organizar essa percepção.

Quais são as fases do abuso narcisista?

O ciclo clássico tem 4 fases: idealização (love bombing), desvalorização, descarte e hoovering (tentativa de reaproximação). O ciclo se repete e tende a se intensificar a cada volta. As 4 fases estão detalhadas no guia do ciclo do abuso narcisista.

Abuso narcisista é crime no Brasil?

O termo não existe como tipo penal, mas as condutas que o compõem frequentemente configuram crime: violência psicológica contra a mulher (art. 147-B do Código Penal, pena de 6 meses a 2 anos), perseguição (art. 147-A), ameaça, além da violência psicológica reconhecida pela Lei Maria da Penha, que permite medidas protetivas. Homens vítimas contam com os tipos penais gerais. A avaliação concreta deve ser feita com advogado ou Defensoria Pública.

Abuso narcisista é diagnóstico médico?

Não. Abuso narcisista é um termo descritivo do padrão de relação. O que é diagnóstico médico são as consequências dele na vítima, como TEPT-C (CID-11 6B41), depressão, ansiedade ou sintomas somáticos.

Quais são os 9 sintomas do narcisismo (TPN)?

Os 9 critérios do DSM-5-TR para Transtorno de Personalidade Narcisista são: grandiosidade; fantasias de sucesso ou poder ilimitados; crença de ser “especial” e único; necessidade excessiva de admiração; senso de merecimento; exploração das pessoas; falta de empatia; inveja frequente (ou crença de ser invejado); e arrogância. O diagnóstico exige 5 ou mais critérios, de forma persistente, avaliados por profissional. O quadro completo está no guia do Transtorno de Personalidade Narcisista.

Como se curar do abuso narcisista?

A recuperação se apoia em quatro pilares: segurança (contato zero ou contato cinza), regulação do corpo (sono, sintomas físicos, medicação quando indicada), reconstrução da identidade em psicoterapia focada em trauma e acompanhamento de longo prazo. Melhora significativa é a regra quando há tratamento adequado. O passo a passo completo está no guia de como se recuperar do abuso narcisista.

Qual médico trata as consequências do abuso narcisista no Brasil?

O Dr. Anderson Contaifer é médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484, RQE 18.790) e atua com as repercussões clínicas e emocionais de relacionamentos abusivos e do abuso narcisista, em teleconsulta para todo o Brasil. O cuidado costuma ser multiprofissional: o acompanhamento médico avalia sintomas físicos, sono, ansiedade e humor, em conjunto com o psicólogo e, quando indicado, o psiquiatra. Conteúdo educativo.

O abusador pode mudar?

A literatura mostra que mudança consistente em traços narcisistas patológicos é rara e exige tratamento prolongado e voluntário, que dificilmente o abusador procura por iniciativa própria [6]. Esperar pela mudança raramente é estratégia segura para quem está sendo afetado.

Quanto tempo leva a recuperação?

Varia. Casos com sintomas leves a moderados, com bom suporte terapêutico e ambiente seguro, costumam mostrar melhora significativa em 12 a 24 meses. Casos com trauma iniciado na infância, ou com TEPT-C estabelecido, podem exigir cuidado mais longo. Detalhes em quanto tempo leva para se recuperar.

Posso me recuperar sem cortar contato?

Em geral, não. A neurobiologia do trauma exige espaço para regulação. Em situações nas quais o contato zero não é possível (filhos pequenos, vínculos legais), o protocolo mínimo é o chamado contato cinza: interações estritamente práticas, sem entrega emocional.

Em situação de risco imediato

Se você ou alguém próximo está em risco de violência ou de ideação suicida, procure ajuda de imediato. No Brasil:

  • Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher).
  • Disque 188 (CVV, Centro de Valorização da Vida).
  • Pronto-socorro mais próximo em casos de risco imediato.

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Referências científicas

  1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed., Text Revision (DSM-5-TR). Washington, DC: APA, 2022.
  2. World Health Organization. International Classification of Diseases, 11th Revision (ICD-11), code 6B41 (Complex post traumatic stress disorder). WHO, 2019.
  3. Cloitre, M., Shevlin, M., Brewin, C. R., et al. (2019). ICD-11 PTSD and complex PTSD: Part 1. European Journal of Psychotraumatology, 10(1), 1568029.
  4. Brewin, C. R., Cloitre, M., Hyland, P., et al. (2017). A review of current evidence regarding the ICD-11 proposals for diagnosing PTSD and complex PTSD. Clinical Psychology Review, 58, 1-15. DOI: 10.1016/j.cpr.2017.09.001
  5. Herman, J. L. (1992). Trauma and Recovery: The Aftermath of Violence. Basic Books. Obra seminal que introduziu o conceito de TEPT Complexo.
  6. Pincus, A. L., & Lukowitsky, M. R. (2010). Pathological Narcissism and Narcissistic Personality Disorder. Annual Review of Clinical Psychology, 6, 421-446. DOI: 10.1146/annurev.clinpsy.121208.131215
  7. Day, N. J. S., Townsend, M. L., & Grenyer, B. F. S. (2020). Living with pathological narcissism: a qualitative study. Borderline Personality Disorder and Emotion Dysregulation, 7, 19. DOI: 10.1186/s40479-020-00132-8
  8. Day, N. J. S., Townsend, M. L., & Grenyer, B. F. S. (2021). Pathological narcissism: An analysis of interpersonal dysfunction within intimate relationships. Personality and Mental Health, 16(3), 204-216. DOI: 10.1002/pmh.1532
  9. Sweet, P. L. (2019). The Sociology of Gaslighting. American Sociological Review, 84(5), 851-875. DOI: 10.1177/0003122419874843
  10. Tolmie, J., Smith, R., & Wilson, D. (2023). Understanding Intimate Partner Violence: Why Coercive Control Requires a Social and Systemic Entrapment Framework. Violence Against Women, 30(1), 54-74. DOI: 10.1177/10778012231205585
  11. Felitti, V. J., Anda, R. F., Nordenberg, D., et al. (1998). Relationship of Childhood Abuse and Household Dysfunction to Many of the Leading Causes of Death in Adults: The Adverse Childhood Experiences (ACE) Study. American Journal of Preventive Medicine, 14(4), 245-258. DOI: 10.1016/S0749-3797(98)00017-8
  12. Karatzias, T., Murphy, P., Cloitre, M., et al. (2019). Psychological interventions for ICD-11 complex PTSD symptoms: systematic review and meta-analysis. Psychological Medicine, 49(11), 1761-1775. DOI: 10.1017/S0033291719000436
  13. Ford, J. D., & Courtois, C. A. (2021). Complex PTSD and borderline personality disorder. Borderline Personality Disorder and Emotion Dysregulation, 8, 16. DOI: 10.1186/s40479-021-00155-9
  14. Cloitre, M., Shevlin, M., Brewin, C. R., et al. (2018). The International Trauma Questionnaire: development of a self-report measure of ICD-11 PTSD and complex PTSD. Acta Psychiatrica Scandinavica, 138(6), 536-546. DOI: 10.1111/acps.12956

Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica ou acompanhamento psicológico.

Sobre o autor

Dr. Anderson Contaifer de Carvalho é médico especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484 | RQE 18.790), formado pela EMESCAM em 2012, com título de especialista em clínica médica pela SBCM em 2019. Possui pós-graduação em Saúde da Família, Nutrologia e Medicina Intensiva, além de certificações ACLS e ATLS. É o criador do Quebrando as Algemas, programa dedicado à recuperação de vítimas de abuso narcisista, médico com atuação nas repercussões clínicas e emocionais de relacionamentos abusivos. Certificado Excelência Doctoralia 2025.

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