Dr. Anderson Contaifer (CRM-SC 24.484, RQE 18.790), médico especialista em Clínica Médica, atende por teleconsulta pacientes com repercussões físicas e emocionais do abuso narcisista em todo o Brasil.
As repercussões do abuso narcisista no corpo (insônia, taquicardia, fadiga, alterações de sono e peso) têm avaliação e acompanhamento médico.
Dr. Anderson Contaifer · Médico Especialista em Clínica Médica · CRM-SC 24.484 · RQE 18.790 · Teleconsulta (qualquer lugar do Brasil e do mundo)
Definição rápida
Dor nas costas, no pescoço e nos ombros, além daquela tensão muscular que não solta, é uma queixa muito comum em quem sofreu abuso narcisista. Na maioria desses casos não há uma lesão grave na coluna: o que acontece é que o corpo passou anos em estado de alerta, com a musculatura contraída em posição de defesa, e o sistema nervoso ficou mais sensível à dor. É uma dor real, ligada ao estresse crônico, que costuma piorar em momentos de tensão e melhorar quando o sistema nervoso se acalma. Entender isso muda o tratamento.
Você sente o pescoço e os ombros travados, uma dor nas costas que vai e volta, a sensação de estar sempre “contraída”, como se o corpo não conseguisse relaxar. Faz exames, muitas vezes ouve que “não é nada grave”, mas a dor continua ali. Se você saiu de um relacionamento abusivo e convive com esse aperto no corpo, este artigo explica de onde vem essa dor, por que o estresse trava a musculatura, quando é preciso investigar mais a fundo e o que dá para fazer.
Por que a dor nas costas é tão comum, e por que importa
Atendimento médico
As repercussões do abuso narcisista no corpo (insônia, taquicardia, fadiga, alterações de peso e sono) têm avaliação e acompanhamento médico. O Dr. Anderson Contaifer, médico, especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484, RQE 18.790), atende por teleconsulta para todo o Brasil. Cada consulta é uma avaliação clínica individual.
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A dor lombar não é uma queixa qualquer: segundo a análise do Estudo de Carga Global de Doenças de 2021, a dor lombar é a principal causa de anos vividos com incapacidade, tanto em 1990 quanto em 2021, à frente de muitas outras condições (DOI: 10.1016/S0140-6736(24)01446-6). Ou seja, é um dos problemas que mais tiram qualidade de vida no mundo. E boa parte dessas dores não vem de uma lesão estrutural, mas de um conjunto de fatores em que o estresse e o estado emocional têm peso enorme.
Isso é importante porque muita gente que sofreu abuso passa anos indo de exame em exame, procurando uma “hérnia” ou um “desgaste” que explique tudo, quando a maior parte da dor está sendo sustentada por um sistema nervoso em alerta e por músculos que aprenderam a viver contraídos.
Como o abuso narcisista trava o corpo
Diante de uma ameaça, o corpo entra em modo de luta ou fuga: a musculatura se contrai, pronta para reagir. Isso é útil por alguns segundos. O problema é quando a ameaça não passa. Em um relacionamento abusivo, o corpo vive nesse estado de guarda por meses ou anos, e os músculos do pescoço, dos ombros e das costas ficam cronicamente tensos, como quem está sempre “encolhido” esperando o próximo golpe. Essa tensão sustentada gera dor, pontos de gatilho e a sensação de rigidez.
Mas há uma segunda camada, e ela é decisiva. O estresse crônico não só contrai o músculo, ele também torna o sistema nervoso mais sensível à dor, um fenômeno chamado de sensibilização central. Uma metanálise recente que reuniu 52 estudos mostrou que a disfunção dos sistemas de estresse, o sistema nervoso autônomo e o eixo hormonal do estresse (eixo HPA), está ligada a uma maior sensibilidade à dor em pessoas com dor crônica (DOI: 10.1016/j.neubiorev.2026.106604). Em outras palavras, o mesmo estímulo passa a doer mais, porque o “volume” da dor foi aumentado pelo estresse.
Por baixo disso está o cortisol. Uma revisão recente descreve como o estresse crônico desregula o eixo HPA e altera o cortisol, com efeitos que incluem justamente o aumento da sensibilidade à dor (DOI: 10.3390/cells12232726). E quando esse desgaste se acumula por anos, a medicina chama de carga alostática, um custo que uma revisão sistemática associou a piores desfechos de saúde física e mental (DOI: 10.1159/000510696). Quando o abuso é prolongado e repetido, o quadro de fundo costuma ser o Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C, CID-11 6B41), descrito na revisão de 2022 da Lancet como resultado de exposições sustentadas ao trauma, com um estado de ameaça constante que mantém o corpo em guarda (DOI: 10.1016/S0140-6736(22)00821-2).
A conexão entre dor, tensão e o resto do corpo
A tensão muscular do estresse raramente fica só nas costas. Ela sobe para o pescoço e a nuca, aperta a mandíbula e frequentemente vira dor de cabeça. Uma revisão de 2025 descreve como o estresse crônico, pela desregulação do eixo HPA e do sistema nervoso autônomo, contribui para as dores de cabeça, incluindo a cefaleia do tipo tensional, num ciclo em que a dor gera mais estresse e o estresse gera mais dor (DOI: 10.3390/biomedicines13020463). Por isso é comum a mesma pessoa ter, ao mesmo tempo, dor nas costas, no pescoço, na mandíbula e na cabeça: é tudo a mesma musculatura em guarda e o mesmo sistema nervoso sensibilizado.
| Onde a tensão se instala | Como costuma se manifestar |
|---|---|
| Pescoço e ombros | Rigidez, “nó” no trapézio, dor que irradia para a cabeça |
| Região lombar | Dor que vai e volta, pior em períodos de estresse |
| Mandíbula | Apertar e ranger os dentes, dor ao mastigar |
| Corpo todo | Sensação de dor difusa e cansaço, quando a sensibilização se espalha |
Se a dor sobe para a cabeça, vale ver o artigo sobre enxaqueca e dor de cabeça no abuso narcisista. Se o aperto é mais na mandíbula, o texto sobre bruxismo e dor na mandíbula se conecta diretamente. E quando a dor se torna difusa e generalizada, o quadro se aproxima da fibromialgia e das dores crônicas.
Dor, fadiga e sensibilidade: o trio que anda junto
Um ponto que a literatura recente destaca é que a dor crônica ligada ao estresse costuma vir em conjunto com a fadiga e com uma sensibilidade aumentada. Uma revisão descreve exatamente essa combinação, a chamada tríade de baixo cortisol: sensibilidade ao estresse, fadiga crônica e dor, que aparecem juntas quando o sistema de estresse está desregulado (DOI: 10.1210/clinem/dgae412). Isso explica por que tantas vítimas de abuso não têm “só” dor nas costas: têm dor, cansaço e a sensação de que tudo incomoda mais. E há um dado que amarra o conjunto: uma metanálise recente com mais de 370 mil pessoas mostrou que quanto mais adversidades alguém viveu, maior a chance de acumular várias condições de saúde ao longo da vida, numa relação de dose e resposta (DOI: 10.1186/s12916-024-03505-w).
Se o cansaço extremo também faz parte do seu quadro, vale ver o artigo sobre fadiga crônica depois do abuso narcisista. Olhar o conjunto, e não cada dor isolada, é o que muda o resultado.
O círculo vicioso do medo e da dor
A dor crônica das costas costuma se prender num ciclo com o medo, e entender isso mostra por onde cortar. Quando algo dói, o instinto é proteger, evitar o movimento, “poupar” a coluna. Mas o repouso excessivo enfraquece a musculatura, aumenta a rigidez e sensibiliza ainda mais o sistema nervoso, o que faz a dor voltar mais forte na próxima vez. A isso soma-se o medo de que “tem algo grave”, que mantém o corpo em tensão e alimenta a própria dor:
| Elo do ciclo | Como alimenta o próximo |
|---|---|
| Estresse do abuso | Contrai a musculatura e sensibiliza o sistema nervoso |
| Dor e tensão | Assustam e geram medo de piorar |
| Medo e evitação do movimento | O repouso excessivo enfraquece e enrijece o corpo |
| Mais sensibilização | A dor volta mais forte, reforçando o começo do ciclo |
Quebrar esse ciclo não é “ignorar a dor”, é entender que, na maioria dos casos sem sinais de alerta, o movimento cuidadoso e a regulação do sistema nervoso são aliados, e não inimigos. Se você reconhece esse padrão de tensão que aperta em momentos de ativação, o guia sobre a crise de TEPT-C ajuda a entender o estado de alerta por trás.
Quando investigar: nem toda dor nas costas é do estresse
Reconhecer o papel do estresse não significa deixar de investigar. Alguns sinais de alerta pedem avaliação criteriosa e não devem ser atribuídos ao emocional sem checagem:
| Sinal de alerta | Por que investigar |
|---|---|
| Dor que desce pela perna, com formigamento ou fraqueza | Pode indicar compressão de nervo |
| Perda de controle da urina ou das fezes, dormência na região genital | Emergência, avaliar imediatamente |
| Dor após trauma, queda ou acidente | Descartar lesão óssea |
| Febre, perda de peso, dor que piora à noite | Sinais que pedem descartar infecção ou outras causas |
Fora esses sinais, o mais comum é que a investigação afaste causas graves e, em paralelo, reconheça o quanto o estresse traumático está sustentando a dor e a tensão. A avaliação médica existe justamente para fazer essa separação com segurança. Para saber quais exames costumam entrar nessa avaliação, veja o guia sobre exames e avaliação médica depois do abuso narcisista.
Como tratar: soltar o corpo e acalmar o sistema nervoso
O tratamento da dor e da tensão ligadas ao abuso funciona em frentes que se somam, e a abordagem mais eficaz é a que olha corpo e sistema nervoso ao mesmo tempo, o chamado modelo biopsicossocial:
- Tratar a raiz. Como o motor é o estresse traumático e a hipervigilância, regular o sistema nervoso e tratar o trauma é o que reduz a tensão e a dor de forma mais duradoura. Enquanto o alarme continuar ligado, a musculatura segue em guarda.
- Movimento gradual e regular. Ao contrário do que o medo sugere, o repouso prolongado costuma piorar a dor crônica das costas. Movimento suave e progressivo, respeitando os limites, ajuda a soltar a musculatura e a reduzir a sensibilização.
- Técnicas de regulação do corpo. Respiração lenta, relaxamento e práticas que acalmam o sistema nervoso autônomo reduzem tanto a tensão muscular quanto a sensibilidade à dor.
- Cuidar do sono, da ansiedade e da mandíbula, que amplificam a dor e a tensão. Tratar o bruxismo e a insônia frequentemente alivia as dores do pescoço e das costas.
Esse cuidado que olha a raiz e o conjunto, e não só uma imagem da coluna, é a lógica da avaliação médica que faço. Para entender como funciona a consulta, o que levar e o que esperar, veja o guia sobre a consulta médica para quem sofreu abuso narcisista. Quando há sinais de alerta, o encaminhamento ao especialista é parte do plano.
O que você pode começar a fazer hoje
Nada disso substitui avaliação, mas ajuda enquanto você organiza o cuidado:
- Não fique parada por medo da dor. O repouso excessivo piora a dor crônica das costas. Movimente-se dentro do que é seguro, aos poucos.
- Perceba a tensão e solte conscientemente. Ao longo do dia, cheque se os ombros estão subidos e a mandíbula travada, e relaxe.
- Respiração lenta com expiração longa ajuda a tirar o corpo do estado de alerta e afrouxa a musculatura.
- Calor local no pescoço e nas costas ajuda a relaxar os músculos tensos.
- Cuide do sono e da postura no trabalho e no celular, que sobrecarregam a musculatura já tensa.
- Reduza café e álcool, que aumentam a tensão e pioram o sono.
E se houver qualquer sinal de alarme dos que listei, dor que desce pela perna com fraqueza, alteração no controle da urina, febre ou dor após trauma, procure avaliação médica sem esperar.
Perguntas frequentes
Minha dor nas costas pode ser do estresse do abuso?
Pode, e é muito comum. O estresse prolongado mantém a musculatura contraída e deixa o sistema nervoso mais sensível à dor. Isso gera dor real, mesmo sem uma lesão grave na coluna. Ainda assim, a avaliação é necessária para afastar outras causas.
Fiz exames de imagem e não acharam nada grave. Então por que dói?
Porque boa parte da dor crônica das costas não vem de uma lesão que apareça na imagem, e sim da tensão muscular sustentada e da sensibilização do sistema nervoso pelo estresse. A dor é real; o exame sem lesão grave apenas indica que o caminho é regular o sistema nervoso e soltar a musculatura, não caçar uma lesão que não existe.
O que é sensibilização central?
É quando o sistema nervoso, sob estresse crônico, aumenta o “volume” da dor, fazendo com que estímulos que antes não doeriam passem a doer. É um dos mecanismos pelos quais o estresse do abuso torna o corpo mais dolorido.
Por que o pescoço e os ombros vivem travados?
Porque a musculatura do pescoço e dos ombros é a primeira a se contrair na resposta de defesa ao estresse. Em quem vive em alerta constante, ela quase não relaxa, o que gera rigidez, “nós” e dor que muitas vezes sobe para a cabeça.
Repouso resolve a dor nas costas?
Nem sempre, e o repouso prolongado costuma piorar a dor crônica. O movimento suave e gradual, respeitando os limites, tende a ajudar mais do que ficar parada. A conduta é individualizada e definida na avaliação.
Dor nas costas, cansaço e sensibilidade juntos, é normal?
É um padrão reconhecido: dor, fadiga e sensibilidade aumentada costumam andar juntas quando o sistema de estresse está desregulado. Por isso a avaliação olha o conjunto, e não cada sintoma isolado.
Como sei o quanto o trauma ainda pesa em mim?
Uma forma de ter uma noção estruturada é fazer o teste de TEPT-C online e gratuito, baseado no Questionário Internacional de Trauma validado por Cloitre e colaboradores (DOI: 10.1111/acps.12956). Ele não diagnostica sozinho, mas dá um retrato que você leva para a consulta.
A avaliação pode ser feita por teleconsulta?
Pode. A telemedicina é regulamentada pela Resolução CFM 2.314/2022 e permite avaliar o quadro, orientar o cuidado e coordenar o tratamento, com encaminhamento ao especialista quando houver sinais de alerta.
Referências científicas
Fontes obtidas via PubMed, priorizando literatura recente (2018-2026).
- Vyverman J, De Baere R, Timmers I, et al. The stress-pain connection in chronic primary pain: a systematic review and meta-analysis of physiological stress markers in relation to experimental pain responses. Neurosci Biobehav Rev. 2026. DOI: 10.1016/j.neubiorev.2026.106604
- Knezevic E, Nenic K, Milanovic V, Knezevic NN. The role of cortisol in chronic stress, neurodegenerative diseases, and psychological disorders. Cells. 2023. DOI: 10.3390/cells12232726
- Sic A, Bogicevic M, Brezic N, et al. Chronic stress and headaches: the role of the HPA axis and autonomic nervous system. Biomedicines. 2025. DOI: 10.3390/biomedicines13020463
- Lee JH, Meyer EJ, Nenke MA, et al. Cortisol, stress, and disease – bidirectional associations. J Clin Endocrinol Metab. 2024. DOI: 10.1210/clinem/dgae412
- GBD 2021 US Collaborators. The burden of diseases, injuries, and risk factors by state in the USA, 1990-2021. Lancet. 2024. DOI: 10.1016/S0140-6736(24)01446-6
- Maercker A, Cloitre M, Bachem R, et al. Complex post-traumatic stress disorder. Lancet. 2022. DOI: 10.1016/S0140-6736(22)00821-2
- Guidi J, Lucente M, Sonino N, Fava GA. Allostatic load and its impact on health: a systematic review. Psychother Psychosom. 2020. DOI: 10.1159/000510696
- Senaratne DNS, Thakkar B, Smith BH, et al. The impact of adverse childhood experiences on multimorbidity: a systematic review and meta-analysis. BMC Med. 2024. DOI: 10.1186/s12916-024-03505-w
- Cloitre M, Shevlin M, Brewin CR, et al. The International Trauma Questionnaire: development of a self-report measure of ICD-11 PTSD and complex PTSD. Acta Psychiatr Scand. 2018. DOI: 10.1111/acps.12956
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica individualizada. Dr. Anderson Contaifer, médico especialista em Clínica Médica, CRM-SC 24.484, RQE 18.790.