Dr. Anderson Contaifer (CRM-SC 24.484, RQE 18.790), médico especialista em Clínica Médica, atende por teleconsulta pacientes com repercussões físicas e emocionais do abuso narcisista em todo o Brasil.
As repercussões do abuso narcisista no corpo (insônia, taquicardia, fadiga, alterações de sono e peso) têm avaliação e acompanhamento médico.
Dr. Anderson Contaifer · Médico Especialista em Clínica Médica · CRM-SC 24.484 · RQE 18.790 · Teleconsulta (qualquer lugar do Brasil e do mundo)
Definição rápida
O zumbido (tinnitus) é a percepção de um som, apito, chiado, cigarra ou pulsação, sem que exista uma fonte sonora externa. Ele é muito comum em quem passou por abuso narcisista, e não porque a pessoa esteja “inventando”, e sim porque o estresse crônico e a hipervigilância mantêm o cérebro auditivo em estado de alarme. O zumbido em si nem sempre pode ser eliminado, mas o sofrimento que ele causa pode ser bastante reduzido, e é justamente nesse ponto que o tratamento age.
Aquele apito ou chiado no ouvido que não vai embora, que fica mais alto no silêncio da noite e some quando você se distrai, é uma queixa frequente de quem viveu um relacionamento abusivo. A pessoa vai ao otorrino, faz o exame de audição, muitas vezes ouve que “não há nada de errado”, e volta para casa com o barulho ainda ali, sem entender por quê. Este artigo explica de onde vem esse zumbido, por que o abuso narcisista o provoca ou o piora, quando ele precisa de investigação e o que a medicina atual realmente consegue fazer por ele.
O que é o zumbido e por que ele não é “coisa da sua cabeça”
Atendimento médico
As repercussões do abuso narcisista no corpo (insônia, taquicardia, fadiga, alterações de peso e sono) têm avaliação e acompanhamento médico. O Dr. Anderson Contaifer, médico, especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484, RQE 18.790), atende por teleconsulta para todo o Brasil. Cada consulta é uma avaliação clínica individual.
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O zumbido é um som que você escuta sem que haja um som tocando no ambiente. Ele atinge cerca de 14% dos adultos, e em torno de 2% das pessoas o vivenciam de forma grave, a ponto de interferir no sono, na concentração e na qualidade de vida, segundo a revisão de referência publicada em 2026 na Nature Reviews Disease Primers (DOI: 10.1038/s41572-026-00702-0). Ou seja, é extremamente comum, e você não está sozinho nem exagerando.
O mecanismo mais aceito hoje é o seguinte: quando há uma redução, mesmo pequena, na entrada dos sons (por perda auditiva, exposição a ruído ou envelhecimento), o cérebro tenta compensar aumentando o próprio “volume interno”, num processo chamado de aumento do ganho central. Nesse reajuste, ele passa a gerar e a perceber um som que não existe lá fora. O ponto decisivo é que quem transforma esse sinal num sofrimento persistente são as redes cerebrais ligadas à emoção e à atenção, as chamadas redes límbica e de saliência (DOI: 10.1038/s41572-026-00702-0). Em outras palavras, o zumbido nasce no sistema auditivo, mas é o estado emocional que decide se ele vai ser um ruído de fundo ignorável ou um alarme insuportável.
| Tipo de zumbido | Como costuma ser | O que sugere |
|---|---|---|
| Subjetivo (o mais comum) | Apito, chiado, cigarra ou zunido contínuo, que só você escuta | Ligado a audição e ao estado do sistema nervoso; é o tipo que o estresse mais piora |
| Pulsátil | Som que pulsa no ritmo do coração | Pede investigação vascular específica, é um sinal de alerta |
| Unilateral persistente | Só num ouvido, sem melhorar | Merece avaliação do ouvido para afastar causas próprias |
Por que o abuso narcisista provoca ou piora o zumbido
A conexão entre o abuso e o zumbido não é mística, é fisiológica. A revisão da Nature Reviews lista de forma explícita o estresse entre os fatores que contribuem para a cronificação do zumbido, ao lado da neuroinflamação e do acoplamento entre o sistema auditivo e o somatossensorial (DOI: 10.1038/s41572-026-00702-0). Um cérebro que passou anos em alerta, tratando cada palavra e cada silêncio do agressor como uma ameaça, fica com as redes de estresse cronicamente ativadas. E são exatamente essas redes que decidem o quanto o zumbido incomoda.
Estudos de neuroimagem citados na literatura recente mostram que o zumbido e os transtornos ligados ao estresse compartilham as mesmas redes cerebrais, o que ajuda a entender por que ansiedade, depressão e insônia aparecem tão associadas ao zumbido, funcionando ao mesmo tempo como fatores de risco e como consequências (DOI: 10.1007/s10162-024-00939-0). No abuso narcisista, essa engrenagem se fecha: o trauma mantém o sistema de alarme ligado, o alarme amplifica o zumbido, e o zumbido, por sua vez, vira mais uma fonte de angústia.
Por baixo de tudo, quando o abuso é prolongado e repetido, o quadro de fundo costuma ser o Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C, CID-11 6B41). A revisão de 2022 na Lancet, dos próprios autores que definiram o diagnóstico, descreve o TEPT-C como resultado de exposições sustentadas ao trauma, incluindo a violência doméstica, com desregulação persistente das emoções e um estado de ameaça constante (DOI: 10.1016/S0140-6736(22)00821-2). É essa ameaça constante que mantém o cérebro auditivo em guarda. Some-se a isso o desgaste acumulado do estresse crônico, a chamada carga alostática, que uma revisão sistemática associou a piores desfechos de saúde física e mental (DOI: 10.1159/000510696), e fica claro por que o zumbido encontra terreno fértil depois do abuso.
Por que ele piora à noite, no silêncio e no estresse
Quem tem zumbido conhece o padrão: durante o dia, no meio dos sons da vida, ele quase some; à noite, no silêncio do quarto, ele parece dominar tudo. Isso acontece porque, sem outros sons para competir, o cérebro dá mais destaque ao zumbido, e porque a atenção, sem distração, se fixa nele. A revisão da Nature Reviews aponta o estresse, a qualidade do sono, o horário do dia e o nível de distração entre os fatores que modulam a percepção do zumbido (DOI: 10.1038/s41572-026-00702-0). Por isso o zumbido e a insônia se alimentam: o silêncio da noite realça o zumbido, o zumbido atrapalha o sono, e a privação de sono deixa o sistema nervoso mais reativo no dia seguinte.
| Elo do ciclo | Como alimenta o próximo |
|---|---|
| Estresse do abuso | Mantém as redes de alarme ligadas e amplifica o zumbido |
| Zumbido mais alto | Assusta, prende a atenção e gera medo de que “nunca vá parar” |
| Ansiedade e insônia | Deixam o sistema nervoso mais reativo e o sono pior |
| Mais monitoramento | Prestar atenção no zumbido o tempo todo aumenta o incômodo |
O ponto de virada desse ciclo é a atenção. Não porque o zumbido seja “frescura”, mas porque, quanto mais o cérebro o classifica como ameaça, mais alto e mais central ele fica. O tratamento moderno atua justamente aí: em reduzir o alarme e reeducar o cérebro a tratar o zumbido como um som neutro. Se a insônia é uma parte grande do seu sofrimento, vale ver também o artigo sobre insônia depois do abuso narcisista.
Zumbido e mandíbula: a conexão que muita gente ignora
Um detalhe importante e pouco falado: o zumbido tem forte ligação com a tensão da mandíbula e a articulação temporomandibular. A literatura recente lista os transtornos temporomandibulares entre as condições que frequentemente acompanham o zumbido, por causa do acoplamento entre os sistemas auditivo e somatossensorial (DOI: 10.1038/s41572-026-00702-0). Na prática, isso significa que muita gente que aperta e range os dentes por causa do estresse, o bruxismo, também desenvolve ou piora o zumbido. Se você acorda com a mandíbula travada ou dolorida, o artigo sobre bruxismo e dor na mandíbula por abuso narcisista se conecta diretamente com esse quadro. E como o ouvido interno também governa o equilíbrio, não raro o zumbido convive com a tontura e a sensação de labirintite.
Quando investigar: nem todo zumbido é do estresse
Reconhecer o peso do estresse não substitui a avaliação. Alguns tipos de zumbido pedem investigação criteriosa e não devem ser atribuídos ao emocional sem checagem:
| Sinal de alerta | Por que investigar |
|---|---|
| Zumbido que pulsa no ritmo do coração (pulsátil) | Pode ter causa vascular e exige exame de imagem dirigido |
| Zumbido só num ouvido, persistente | Merece avaliação para afastar causas próprias do ouvido |
| Perda de audição repentina junto com o zumbido | É uma urgência otológica, avaliar sem demora |
| Zumbido com tontura intensa, alterações neurológicas | Prioridade de avaliação para descartar causas neurológicas |
O zumbido pulsátil, em especial, merece atenção: a literatura de imagem recente reforça que, quando o som pulsa em sincronia com o batimento cardíaco, é preciso investigar a circulação da região, porque a maioria desses casos tem achado no exame e alguns têm tratamento específico (DOI: 10.1148/rg.240030). Fora esses sinais, o mais comum é que a investigação afaste causas graves e, em paralelo, reconheça o quanto o estresse traumático está sustentando o zumbido. A avaliação médica existe justamente para fazer essa separação com segurança.
O zumbido raramente vem sozinho
Uma das constatações mais consistentes da literatura é que o zumbido quase nunca aparece isolado. Ele costuma vir acompanhado de perda auditiva, hipersensibilidade a sons (hiperacusia), enxaqueca, ansiedade, depressão, insônia e transtornos da mandíbula (DOI: 10.1038/s41572-026-00702-0). Isso não é coincidência: todos esses quadros compartilham a raiz do estresse crônico e da hipervigilância. Por isso o cuidado que olha só o ouvido, ignorando o restante, costuma frustrar. E há um dado que amarra tudo: uma metanálise recente com mais de 370 mil pessoas mostrou que quanto mais adversidades alguém viveu, maior a chance de acumular várias doenças ao longo da vida, numa relação de dose e resposta (DOI: 10.1186/s12916-024-03505-w). O zumbido, muitas vezes, é apenas uma das peças desse conjunto.
Se você percebe que o zumbido é só mais um entre vários sintomas físicos que surgiram depois do abuso, vale mapear o todo no guia dos sinais físicos do trauma narcísico.
Como tratar: reduzir o sofrimento e tratar a raiz
Aqui está a notícia importante, e ela é realista e esperançosa ao mesmo tempo. Nem sempre é possível “desligar” o zumbido, mas é muito possível reduzir o quanto ele incomoda, a ponto de ele deixar de dominar a sua vida. A revisão multidisciplinar de 2024 sobre diagnóstico e tratamento do zumbido é clara: o aconselhamento e a terapia cognitivo-comportamental (TCC) são tratamentos de primeira linha, com a melhor evidência para reduzir o sofrimento (DOI: 10.1007/s10162-024-00960-3). As frentes que se somam são:
- Tratar a raiz. Como o motor que amplifica o zumbido é o estresse traumático e a hipervigilância, regular o sistema nervoso e tratar o trauma é o que reduz o incômodo de forma mais duradoura. Enquanto o alarme continuar ligado, o cérebro segue dando destaque ao zumbido.
- Terapia cognitivo-comportamental e aconselhamento. São a primeira linha justamente porque atuam nas redes de estresse e atenção que decidem o quanto o zumbido pesa (DOI: 10.1007/s10162-024-00960-3). Não é “aprender a conviver” no sentido resignado, é reeducar o cérebro a não tratar o som como ameaça.
- Enriquecer o ambiente sonoro. Sons suaves de fundo, sobretudo no silêncio da noite, reduzem o contraste que faz o zumbido parecer mais alto. Quando há perda auditiva, corrigir a audição, inclusive com aparelhos, frequentemente diminui o zumbido (DOI: 10.1007/s10162-024-00960-3).
- Cuidar do sono, da ansiedade e da mandíbula, que amplificam e perpetuam o zumbido. Tratar o bruxismo e a insônia costuma ter efeito direto sobre ele.
Esse cuidado que olha a raiz, e não só o ouvido, é a lógica da avaliação médica que faço. Para entender como funciona a consulta, o que levar e o que esperar, veja o guia sobre a consulta médica para quem sofreu abuso narcisista. Quando há suspeita de causa no ouvido, vascular ou neurológica, o encaminhamento ao especialista é parte do plano.
O que você pode começar a fazer hoje
Nada disso substitui avaliação, mas ajuda a diminuir o incômodo enquanto você organiza o cuidado:
- Não durma no silêncio absoluto. Um som ambiente suave, um ventilador, uma chuva baixinha, reduz o contraste que faz o zumbido gritar à noite.
- Evite tentar “ouvir se ele ainda está lá”. Cada checagem reforça o monitoramento que o mantém em destaque.
- Cuide do sono com horários regulares, porque a privação de sono deixa o sistema nervoso mais reativo e o zumbido mais alto.
- Relaxe a mandíbula. Perceba se você aperta os dentes durante o dia e solte conscientemente; a tensão mandibular alimenta o zumbido.
- Reduza café e álcool, que agravam a ansiedade e, em muita gente, o próprio zumbido.
- Proteja seus ouvidos de ruído alto, porque novas agressões à audição podem piorar o quadro.
E se houver qualquer sinal de alarme dos que listei, zumbido pulsátil, só de um lado, com perda de audição ou tontura intensa, procure avaliação sem esperar.
Perguntas frequentes
O zumbido tem cura?
Para a maioria dos casos ligados ao estresse, o mais honesto é dizer que nem sempre o zumbido é eliminado por completo, mas o sofrimento que ele causa pode ser bastante reduzido, a ponto de ele deixar de atrapalhar a sua vida. Muitas pessoas chegam a quase não notá-lo mais. O foco do tratamento moderno é reduzir o incômodo e a angústia, e nisso os resultados são reais.
Fiz o exame de audição e deu normal. Então por que escuto esse apito?
Exame normal não significa zumbido imaginário. O zumbido nasce no processamento do cérebro auditivo, muito influenciado pelo estresse, e pode existir mesmo sem uma lesão visível no exame. O barulho é real; o exame normal apenas indica que o caminho do tratamento é regular o sistema nervoso, e não caçar uma lesão que não está lá.
O estresse do abuso pode ter causado meu zumbido?
Pode causar ou, mais frequentemente, piorar e cronificar. A literatura atual lista o estresse entre os fatores que contribuem para o zumbido se tornar persistente. Um cérebro mantido em alerta pelo trauma amplifica o zumbido e aumenta o quanto ele incomoda.
Por que piora tanto à noite?
Porque, no silêncio, sem outros sons competindo, o cérebro dá mais destaque ao zumbido, e a atenção, sem distração, se fixa nele. Um som ambiente suave à noite costuma ajudar bastante a reduzir esse contraste.
Ansiedade piora o zumbido?
Piora, e por vias reais. As redes cerebrais da ansiedade e da atenção são as mesmas que decidem o quanto o zumbido pesa. Por isso zumbido e ansiedade se retroalimentam, e tratar as duas pontas é o que quebra o ciclo.
Zumbido e bruxismo têm relação?
Têm. A tensão da mandíbula e os transtornos da articulação temporomandibular estão entre as condições que acompanham o zumbido, por causa da conexão entre os sistemas auditivo e somatossensorial. Quem aperta os dentes por estresse frequentemente nota que o zumbido piora, e tratar o bruxismo ajuda.
Quando o zumbido é sinal de algo mais sério?
Quando ele pulsa no ritmo do coração, aparece só de um lado de forma persistente, vem com perda súbita de audição ou com tontura intensa e sintomas neurológicos. Nesses casos a investigação precisa ser feita sem demora. A avaliação médica serve justamente para separar o que é do estresse do que precisa de exame dirigido.
Como sei o quanto o trauma ainda pesa em mim?
Uma forma de ter uma noção estruturada é fazer o teste de TEPT-C online e gratuito, baseado no Questionário Internacional de Trauma validado por Cloitre e colaboradores (DOI: 10.1111/acps.12956). Ele não diagnostica sozinho, mas dá um retrato que você leva para a consulta.
A avaliação pode ser feita por teleconsulta?
Pode. A telemedicina é regulamentada pela Resolução CFM 2.314/2022 e permite avaliar o quadro, orientar o cuidado e coordenar o tratamento, com encaminhamento ao especialista quando houver suspeita de causa no ouvido, vascular ou neurológica.
Referências científicas
Fontes obtidas via PubMed, priorizando literatura recente (2018-2026).
- Vanneste S, De Ridder D, Gallus S, et al. Tinnitus. Nat Rev Dis Primers. 2026. DOI: 10.1038/s41572-026-00702-0
- Langguth B, de Ridder D, Schlee W, Kleinjung T. Tinnitus: clinical insights in its pathophysiology – a perspective. J Assoc Res Otolaryngol. 2024. DOI: 10.1007/s10162-024-00939-0
- Kleinjung T, Peter N, Schecklmann M, Langguth B. The current state of tinnitus diagnosis and treatment: a multidisciplinary expert perspective. J Assoc Res Otolaryngol. 2024. DOI: 10.1007/s10162-024-00960-3
- Alkhatib SG, Kandregula S, Flesher K, et al. Imaging of pulsatile tinnitus. Radiographics. 2024. DOI: 10.1148/rg.240030
- Maercker A, Cloitre M, Bachem R, et al. Complex post-traumatic stress disorder. Lancet. 2022. DOI: 10.1016/S0140-6736(22)00821-2
- Guidi J, Lucente M, Sonino N, Fava GA. Allostatic load and its impact on health: a systematic review. Psychother Psychosom. 2020. DOI: 10.1159/000510696
- Senaratne DNS, Thakkar B, Smith BH, et al. The impact of adverse childhood experiences on multimorbidity: a systematic review and meta-analysis. BMC Med. 2024. DOI: 10.1186/s12916-024-03505-w
- Cloitre M, Shevlin M, Brewin CR, et al. The International Trauma Questionnaire: development of a self-report measure of ICD-11 PTSD and complex PTSD. Acta Psychiatr Scand. 2018. DOI: 10.1111/acps.12956
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica individualizada. Dr. Anderson Contaifer, médico especialista em Clínica Médica, CRM-SC 24.484, RQE 18.790.