Dr. Anderson Contaifer (CRM-SC 24.484, RQE 18.790), médico especialista em Clínica Médica, atende por teleconsulta pacientes com repercussões físicas e emocionais do abuso narcisista em todo o Brasil.
As repercussões do abuso narcisista no corpo (insônia, taquicardia, fadiga, alterações de sono e peso) têm avaliação e acompanhamento médico.
Dr. Anderson Contaifer · Médico Especialista em Clínica Médica · CRM-SC 24.484 · RQE 18.790 · Teleconsulta (qualquer lugar do Brasil e do mundo)
Definição rápida
Tontura persistente, aquela sensação de cabeça leve, de “andar num barco”, de instabilidade ou de que o chão não é firme, é uma queixa muito comum em quem sofreu abuso narcisista. Na maioria desses casos não se trata de labirintite (uma inflamação do labirinto), e sim de uma tontura ligada ao estado de alerta contínuo do sistema nervoso, que a medicina hoje reconhece como tontura postural-perceptual persistente (TPPP). O estresse crônico mantém o sistema de equilíbrio em hipervigilância, e o resultado é uma tontura real, que não aparece em exames de imagem, mas tem explicação e tem tratamento.
Muita gente que saiu de um relacionamento abusivo convive com uma tontura difícil de descrever: não é bem uma vertigem de tudo girando, é uma instabilidade constante, uma cabeça “leve”, uma sensação de flutuar ou de que vai desequilibrar. A pessoa faz exames do ouvido, do labirinto, ressonância, e ouve que “está tudo normal”, o que aumenta a angústia, porque a tontura continua ali, todos os dias. Este artigo explica de onde vem essa tontura, por que ela quase nunca é labirintite de verdade, e o que dá pra fazer.
Tontura, vertigem e labirintite: entenda a diferença
Atendimento médico
As repercussões do abuso narcisista no corpo (insônia, taquicardia, fadiga, alterações de peso e sono) têm avaliação e acompanhamento médico. O Dr. Anderson Contaifer, médico, especialista em Clínica Médica (CRM-SC 24.484, RQE 18.790), atende por teleconsulta para todo o Brasil. Cada consulta é uma avaliação clínica individual.
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No dia a dia, as pessoas chamam tudo de “labirintite”, mas os termos são diferentes, e essa diferença muda o tratamento:
| Termo | O que é | Como costuma ser |
|---|---|---|
| Vertigem | Sensação de rotação, de que você ou o ambiente está girando | Crises, muitas vezes com náusea, mais ligada ao labirinto |
| Labirintite | Inflamação do labirinto (parte do ouvido interno) | Menos comum do que se imagina; costuma ter causa e curso próprios |
| Tontura de instabilidade | Sensação de desequilíbrio, cabeça leve, “flutuar”, sem rotação | Constante, pior em pé e em movimento; ligada ao estresse e à ansiedade |
A tontura que aparece no abuso narcisista quase sempre é a terceira, a de instabilidade. E ela tem, inclusive, um diagnóstico formal na medicina: a tontura postural-perceptual persistente (TPPP), cujos critérios foram definidos pela Sociedade de Bárány (DOI: 10.3233/VES-170622) e cuja compreensão foi atualizada por Staab numa revisão recente (DOI: 10.1016/j.ncl.2023.04.003). É uma tontura funcional, ou seja, o problema está no funcionamento do sistema de equilíbrio, não numa lesão que apareça no exame. Um consenso recente na Lancet Neurology classifica a TPPP como um dos quatro principais transtornos neurológicos funcionais, ao lado de outros quadros em que o estresse psicológico é fator de risco frequente (DOI: 10.1016/S1474-4422(21)00422-1).
Por que o abuso narcisista causa tontura
O sistema que mantém o equilíbrio integra três fontes de informação: o labirinto (ouvido interno), a visão e a sensação do corpo no espaço. Um cérebro em estado de alerta muda a forma como processa essas informações. Ele passa a monitorar o equilíbrio de forma exagerada e ansiosa, ficando hipersensível a qualquer pequena oscilação que uma pessoa tranquila nem perceberia. É esse monitoramento excessivo que gera a sensação constante de instabilidade.
A revisão mais atual sobre a TPPP explica o mecanismo em três camadas: a ansiedade e a hipervigilância alteram o controle postural, o cérebro passa a processar de forma enviesada os sinais de equilíbrio, e o sistema prioriza a estabilidade em excesso, ao custo de gerar a sensação de instabilidade (DOI: 10.1016/j.ncl.2023.04.003). Em outras palavras, o cérebro traumatizado interpreta pequenas oscilações neutras como perigo, e é esse monitoramento ansioso que alimenta a tontura. Uma leve oscilação vira um alarme, o alarme gera mais tensão, e a tensão piora a instabilidade, sobretudo ao ficar de pé ou em ambientes de muito estímulo visual, como supermercados e shoppings.
Quando o abuso é prolongado e repetido, o quadro de fundo é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático Complexo (TEPT-C, CID-11 6B41). Uma revisão de 2022 na Lancet, dos próprios autores que definiram o diagnóstico, descreve o TEPT-C como resultante de exposições sustentadas ou múltiplas ao trauma, incluindo a violência doméstica, com perturbações persistentes na regulação das emoções, na identidade e nos relacionamentos (DOI: 10.1016/S0140-6736(22)00821-2). É essa hipervigilância persistente que mantém o sistema de equilíbrio em guarda mesmo depois que a relação acaba.
Por que os exames dão “normal”
Essa é a parte que mais angustia e que mais precisa ser explicada. Quando a tontura é funcional, ligada ao estado do sistema nervoso, os exames que procuram lesão (do labirinto, da audição, de imagem do cérebro) tendem a voltar normais, porque não há uma lesão para encontrar. Isso não significa que a tontura é imaginária ou “da sua cabeça” no sentido de invenção. Significa que o problema está no funcionamento e no processamento, não numa estrutura danificada.
O exame normal, na verdade, é uma informação útil: ele ajuda a afastar causas graves e a direcionar o tratamento para o caminho certo, que é a regulação do sistema nervoso, e não a caça a uma lesão que não existe. A reabilitação vestibular, que ativa mecanismos de neuroplasticidade e readaptação do equilíbrio, é reconhecida na literatura recente como uma das abordagens úteis nesses casos (DOI: 10.1080/14737175.2022.2106129), e é justamente essa readaptação que o tratamento busca favorecer.
Os sinais típicos da tontura do estresse
Alguns padrões ajudam a reconhecer que a tontura é do tipo funcional, ligada ao estresse:
- Sensação de instabilidade ou “flutuar” quase todos os dias, mais do que crises isoladas de rotação.
- Piora em pé e ao andar, e melhora quando você deita.
- Piora em ambientes com muito estímulo visual: supermercados, shoppings, corredores, telas, multidões.
- Piora com o estresse ou após um contato com o agressor.
- Cabeça leve, sensação de desmaio iminente que raramente vira desmaio de fato.
- Melhora quando você está distraída ou concentrada em outra coisa, e piora quando presta atenção nela.
Esse último ponto é revelador: a tontura funcional costuma melhorar quando a atenção sai dela, porque é o próprio monitoramento ansioso que a alimenta. Como quase sempre vem acompanhada de outros sintomas físicos do trauma, vale olhar o conjunto no guia dos sinais físicos do trauma narcísico.
Quando investigar: nem toda tontura é do estresse
Reconhecer o papel do estresse não significa deixar de investigar. Alguns sinais pedem avaliação mais criteriosa e não devem ser atribuídos ao emocional sem checagem:
| Sinal de alerta | Por que investigar |
|---|---|
| Vertigem rotatória intensa e súbita, com vômitos | Pode indicar causa do labirinto ou neurológica |
| Perda auditiva, zumbido novo ou dor de ouvido junto | Aponta para o ouvido interno |
| Alterações na fala, na visão dupla, fraqueza ou dormência | Sinais neurológicos, prioridade de avaliação |
| Desmaios de verdade, palpitações fortes associadas | Merece avaliação do coração e da pressão |
Fora esses sinais, o mais comum é que a investigação afaste causas orgânicas e, em paralelo, reconheça o quanto o estresse traumático está sustentando a tontura. A avaliação médica existe justamente para fazer essa separação com segurança.
Tontura, enxaqueca e a importância de olhar o conjunto
Um ponto que a literatura recente reforça é que a tontura funcional raramente vem isolada. Ela costuma se somar a outras condições, e uma das associações mais frequentes é com a enxaqueca vestibular, hoje considerada uma das causas mais comuns de tontura e vertigem recorrente. Boa parte das pessoas com tontura postural-perceptual persistente tem também um componente de enxaqueca, e um quadro alimenta o outro (DOI: 10.1016/B978-0-12-823357-3.00028-8).
Por que isso importa para quem sofreu abuso narcisista? Porque o estresse crônico é um gatilho poderoso tanto para a enxaqueca quanto para a tontura funcional. A pessoa pode, ao mesmo tempo, ter mais crises de enxaqueca por causa do estresse e desenvolver a tontura persistente pela hipervigilância, e os dois se reforçam. Se você também sofre de dores de cabeça frequentes, vale ver o artigo sobre enxaqueca e dor de cabeça no abuso narcisista.
O recado prático é que uma avaliação bem feita não olha a tontura isolada; ela mapeia o conjunto, o sono, as dores de cabeça, a ansiedade, os sintomas digestivos, a pressão, porque todos partilham a mesma raiz de estresse traumático. Tratar peça por peça, com um especialista para cada sintoma, costuma deixar o quadro sem resolução; olhar o todo é o que muda o resultado.
O círculo vicioso da tontura e da ansiedade
A tontura funcional se prende num círculo com o medo, e entender isso mostra por onde cortar:
| Elo | Como alimenta o próximo |
|---|---|
| Estresse do abuso | Deixa o sistema de equilíbrio em hipervigilância |
| Tontura | Assusta e gera medo de novas crises |
| Medo e evitação | A pessoa evita sair, o que sensibiliza ainda mais o sistema |
| Mais monitoramento | Prestar atenção na tontura o tempo todo a intensifica |
A evitação é o combustível mais traiçoeiro desse círculo. Quanto mais a pessoa deixa de sair de casa com medo de passar mal, mais o sistema de equilíbrio perde a “prática” de lidar com o movimento e mais sensível fica. Se você reconhece esse padrão de crises de ativação, o guia sobre a crise de TEPT-C ajuda a entender o estado de alerta por trás.
Como tratar: readaptar o sistema e tratar a raiz
O tratamento da tontura funcional ligada ao abuso funciona em frentes que se somam:
- Tratar a raiz. Como o motor é o estresse traumático e a hipervigilância, regular o sistema nervoso e tratar o trauma é o que reduz a tontura de forma duradoura. Enquanto o alarme continuar ligado, o sistema de equilíbrio segue em guarda.
- Reduzir a evitação, com cuidado e orientação. Voltar gradualmente às atividades e aos ambientes evitados reeduca o sistema de equilíbrio. Isso é feito de forma progressiva, não de uma vez.
- Reabilitação vestibular, quando indicada. Exercícios específicos que ajudam o cérebro a reprocessar o equilíbrio, favorecendo a readaptação. Uma revisão Cochrane recente destaca que ainda faltam grandes ensaios para a TPPP, mas que abordagens não medicamentosas, como a reabilitação, estão entre as mais estudadas (DOI: 10.1002/14651858.CD015333.pub2).
- Cuidar do sono, da respiração e das crises de ansiedade, que amplificam a tontura.
Esse cuidado que olha a raiz, e não só o sintoma, é a lógica da avaliação médica que faço. Para entender como funciona a consulta, o que levar e o que esperar, veja o guia sobre a consulta médica para quem sofreu abuso narcisista. Quando há suspeita de causa no ouvido ou neurológica, o encaminhamento ao especialista é parte do plano.
O que você pode começar a fazer hoje
Nada disso substitui avaliação, mas ajuda enquanto você organiza o cuidado:
- Não pare de se mover por medo. A evitação piora. Movimente-se dentro do que é seguro para você, aos poucos.
- Respiração lenta com expiração longa nos momentos de tontura ajuda a acalmar o sistema autônomo.
- Fixe um ponto no horizonte quando a instabilidade vier, para dar ao cérebro uma referência visual estável.
- Hidrate-se e não fique muitas horas sem comer, porque a queda de açúcar e a desidratação pioram a cabeça leve.
- Reduza café e álcool, que agravam a tontura e a ansiedade.
E se houver qualquer sinal de alarme dos que listei, ou tontura intensa e súbita, procure avaliação médica sem esperar.
Perguntas frequentes
Minha tontura é labirintite?
Na maioria dos casos ligados ao estresse, não. A verdadeira labirintite (inflamação do labirinto) é menos comum do que se imagina. A tontura constante de instabilidade, cabeça leve e “flutuar”, que piora com estresse e em ambientes cheios, costuma ser funcional, ligada ao sistema nervoso, e não uma inflamação do ouvido. Só a avaliação distingue com segurança.
Fiz todos os exames e deu normal. Então é da minha cabeça?
Exame normal não quer dizer tontura imaginária. Quer dizer que não há uma lesão para encontrar, porque o problema está no funcionamento do sistema de equilíbrio, muito influenciado pelo estresse. A tontura é real e tem tratamento; o exame normal apenas aponta o caminho certo.
A tontura pode ter começado depois do relacionamento abusivo?
Pode. É comum surgir ou piorar no período de maior estresse, ou logo após ele, porque o sistema nervoso permanece em alerta. A linha do tempo dos sintomas é uma informação valiosa para a avaliação.
Por que piora no supermercado ou no shopping?
Porque esses ambientes têm muito estímulo visual e movimento, e o sistema de equilíbrio em hipervigilância se sobrecarrega ali. É um padrão típico da tontura funcional, e melhora com a readaptação gradual.
Remédio de labirinto resolve?
Nem sempre, e às vezes atrapalha. Quando a tontura é funcional, medicamentos que “sedam” o labirinto podem até dificultar a readaptação do sistema. A conduta é individualizada e definida na avaliação, com foco na raiz, e não apenas no sintoma.
Ansiedade causa tontura de verdade?
Causa, sim, por vias fisiológicas reais: a hiperativação do sistema nervoso, a respiração alterada e o monitoramento excessivo do equilíbrio. Tontura e ansiedade se retroalimentam, e por isso tratar as duas pontas é o que quebra o ciclo.
Como sei o quanto o trauma ainda pesa em mim?
Uma forma de ter uma noção estruturada é fazer o teste de TEPT-C online e gratuito, baseado no Questionário Internacional de Trauma validado por Cloitre e colaboradores (DOI: 10.1111/acps.12956). Ele não diagnostica sozinho, mas dá um retrato que você leva para a consulta.
Tenho enxaqueca e tontura ao mesmo tempo. É a mesma coisa?
São coisas distintas que costumam andar juntas. A enxaqueca vestibular é uma das causas mais comuns de tontura recorrente, e muita gente com tontura funcional tem também esse componente de enxaqueca. O estresse crônico piora as duas. Por isso a avaliação olha o conjunto, e não cada sintoma isolado, o que muda bastante o resultado do tratamento.
A avaliação pode ser feita por teleconsulta?
Pode. A telemedicina é regulamentada pela Resolução CFM 2.314/2022 e permite avaliar o quadro, orientar e coordenar o cuidado, com encaminhamento ao especialista quando houver suspeita de causa no ouvido ou neurológica.
Referências científicas
Fontes obtidas via PubMed, priorizando literatura recente (2017-2024).
- Hallett M, Aybek S, Dworetzky BA, et al. Functional neurological disorder: new subtypes and shared mechanisms. Lancet Neurol. 2022. DOI: 10.1016/S1474-4422(21)00422-1
- Staab JP. Persistent postural-perceptual dizziness: review and update on key mechanisms of the most common functional neuro-otologic disorder. Neurol Clin. 2023. DOI: 10.1016/j.ncl.2023.04.003
- Eggers SDZ, Staab JP. Vestibular migraine and persistent postural-perceptual dizziness. Handb Clin Neurol. 2024. DOI: 10.1016/B978-0-12-823357-3.00028-8
- Webster KE, Kamo T, Smith L, et al. Non-pharmacological interventions for persistent postural-perceptual dizziness (PPPD). Cochrane Database Syst Rev. 2023. DOI: 10.1002/14651858.CD015333.pub2
- Zhang S, Liu D, Tian E, et al. Central vestibular dysfunction: don’t forget vestibular rehabilitation. Expert Rev Neurother. 2022. DOI: 10.1080/14737175.2022.2106129
- Maercker A, Cloitre M, Bachem R, et al. Complex post-traumatic stress disorder. Lancet. 2022. DOI: 10.1016/S0140-6736(22)00821-2
- Staab JP, Eckhardt-Henn A, Horii A, et al. Diagnostic criteria for persistent postural-perceptual dizziness (PPPD): consensus document of the Bárány Society. J Vestib Res. 2017. DOI: 10.3233/VES-170622
- Cloitre M, Shevlin M, Brewin CR, et al. The International Trauma Questionnaire: development of a self-report measure of ICD-11 PTSD and complex PTSD. Acta Psychiatr Scand. 2018. DOI: 10.1111/acps.12956
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica individualizada. Dr. Anderson Contaifer, médico especialista em Clínica Médica, CRM-SC 24.484, RQE 18.790.