Existe tratamento para narcisismo patológico? O que mostrou um grupo de psicoeducação de 6 semanas na França

Existe tratamento para narcisismo patológico? O que mostrou um grupo de psicoeducação de 6 semanas na França
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Dr. Anderson Contaifer

Médico · CRM-SC 24.484 · Especialista em Clínica Médica · RQE 18.790. Graduado pela EMESCAM em 2012, com título de especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), em 2019. Atende adultos exclusivamente por teleconsulta, com avaliação individual das repercussões físicas e emocionais de relacionamentos abusivos e do estresse prolongado. Criador do Programa Quebrando as Algemas e de conteúdo educativo sobre relacionamentos abusivos, limites e autocuidado.

Informação para entender relações abusivas e cuidar da sua saúde

Dr. Anderson Contaifer (CRM-SC 24.484, RQE de Clínica Médica 18.790), médico especialista em Clínica Médica e criador do blog Quebrando as Algemas, atende por teleconsulta pessoas com sequelas de abuso narcisista e TEPT-C em todo o Brasil.

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Resposta rápida

Existem propostas de tratamento para o narcisismo patológico, mas nenhuma foi comprovada em ensaio clínico controlado. Um estudo francês de 2026 testou um grupo de psicoeducação de 6 semanas com 25 pacientes: a frequência foi de 83%, houve só 1 desistência e a maioria aprovou o programa. Muitos, porém, sentiram forte ativação emocional e pediram terapia individual ao mesmo tempo. É um estudo pequeno, sem grupo de comparação, que não prova que o tratamento funciona nem permite prever a mudança de alguém.

Agradecimento especial

Obrigado, Dra. Elsa Ronningstam e Dr. Martin Blay

O estudo explicado neste artigo foi enviado ao Dr. Anderson pela pesquisadora Elsa Ronningstam, professora associada do Departamento de Psiquiatria da Harvard Medical School e psicóloga clínica no Gunderson Personality Disorder Institute do McLean Hospital (Estados Unidos), coautora sênior do trabalho. O primeiro autor e autor responsável é o médico Martin Blay, do centro ambulatorial ADDIPSY, em Lyon, e da Université Paris-Saclay (INSERM, equipe DevPsy), na França, que desenvolveu o programa com a equipe. Quando o Dr. Anderson pediu o texto completo para estudá-lo, a Dra. Ronningstam gentilmente o enviou. Fica aqui o nosso agradecimento especial aos dois pela gentileza e pela generosidade de compartilhar ciência de qualidade com quem cuida de sobreviventes de relações abusivas no Brasil. Este texto é a nossa forma de levar o trabalho da equipe a mais pessoas. Thank you, Dr. Ronningstam and Dr. Blay, for your kindness and generosity.

“Ele disse que agora está fazendo tratamento.” Muita gente que viveu uma relação marcada por desprezo, controle e humilhação já ouviu essa frase, às vezes no meio de uma tentativa de reconciliação. E com ela vêm perguntas difíceis: existe mesmo tratamento para isso? Funciona? Eu deveria esperar para ver?

Nenhum estudo consegue dizer se uma pessoa específica vai mudar. Mas um estudo publicado em 2026 mostra como é, na prática, o tratamento de pessoas com narcisismo patológico: quem chega até ele, o que acontece nas sessões, o que os pacientes relataram e quais são os limites do que se sabe. Um retrato realista, sem promessa e sem fatalismo.

Narcisismo patológico e transtorno de personalidade narcisista: qual a diferença

Os autores partem de uma definição simples: narcisismo, no sentido saudável, é a capacidade de manter a autoestima sem depender o tempo todo da aprovação dos outros. O narcisismo patológico é quando essa capacidade falha, e a pessoa passa a usar estratégias inadequadas para lidar com qualquer ameaça à própria autoestima.

Ele tem duas faces, que podem aparecer na mesma pessoa em momentos diferentes:

  • Grandiosidade: superestimar as próprias capacidades, explorar os outros, comportamentos agressivos, fantasias de poder e fama.
  • Vulnerabilidade: vergonha intensa, depressão, raiva, isolamento social. É a face menos visível, que alguns textos populares chamam de narcisismo encoberto.

Já o transtorno de personalidade narcisista (TPN) é o diagnóstico formal descrito no DSM-5: um padrão persistente de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia, com 9 critérios, dos quais a pessoa precisa preencher pelo menos 5. O artigo cita uma estimativa de cerca de 1% da população geral. Os autores lembram que esse diagnóstico é criticado por retratar sobretudo a face grandiosa e deixar de fora os pacientes mais vulneráveis. Por isso o estudo incluiu pessoas com narcisismo patológico, com ou sem o diagnóstico completo de TPN.

Essa diferença importa também para quem viveu uma relação abusiva: reconhecer comportamentos abusivos não depende de um diagnóstico, e um diagnóstico só pode ser feito em avaliação clínica da própria pessoa. Explicamos os critérios em detalhe no guia sobre transtorno de personalidade narcisista.

Por que tratar o narcisismo é tão difícil

O próprio artigo é direto: ainda não existe tratamento validado empiricamente para o narcisismo patológico ou para o TPN. Há adaptações de terapias que funcionam no transtorno de personalidade borderline, como a terapia baseada em mentalização, a psicoterapia focada na transferência, a terapia do esquema e o chamado Bom Manejo Psiquiátrico (Good Psychiatric Management). Mas nenhuma delas foi avaliada em ensaios clínicos randomizados especificamente para o TPN.

Os autores citam ainda dois obstáculos conhecidos:

  • Abandono precoce. Estudos anteriores mostram que pessoas com narcisismo patológico costumam abandonar a psicoterapia cedo, antes de 10 a 12 semanas.
  • Estigma. A palavra “narcisista” carrega uma carga muito negativa, inclusive entre profissionais. Falar abertamente sobre o diagnóstico pode despertar vergonha e humilhação, e daí negação, desvalorização do terapeuta ou abandono do tratamento. Por isso, muitos profissionais têm receio de tocar no assunto.

O estudo testou justamente esse medo: é possível falar de narcisismo de forma clara, em grupo, sem que os pacientes se desorganizem ou desistam?

No vídeo abaixo, o Dr. Anderson responde a uma dúvida frequente sobre o tema:

O que o estudo fez

Blay, Benmakhlouf, Speranza, Duarte e Ronningstam publicaram em julho de 2026, no Journal of Psychiatric Practice, um estudo de viabilidade. Esse tipo de estudo não tenta provar que um tratamento funciona. Ele pergunta algo anterior: os pacientes aceitam, comparecem, ficam até o fim, e o tratamento é seguro o bastante para ser estudado em pesquisas maiores?

  • Onde: um centro ambulatorial de adictologia e psiquiatria em Lyon, na França, que oferece psicoterapia individual e em grupo.
  • Quem: pacientes que já estavam em tratamento no centro, encaminhados por psiquiatra ou médico de família, e que passaram por uma semana de avaliação com entrevista clínica e questionários. Quem apresentava sinais de narcisismo patológico recebia a hipótese diagnóstica e o convite para o grupo. Foram 7 grupos com 38 participantes; 25 adultos preencheram os critérios da pesquisa e foram incluídos.
  • Critério de entrada: preencher pelo menos 3 dos 9 critérios de TPN na entrevista clínica, ou ter pontuação alta de grandiosidade e de vulnerabilidade em um questionário chamado Inventário de Narcisismo Patológico (PNI).
  • O programa: 6 encontros semanais de 1 hora e meia, com cerca de 6 pacientes, conduzidos por um psiquiatra e um psicólogo treinados em Bom Manejo Psiquiátrico. Cada encontro tinha duas partes: uma conversa em grupo sobre situações recentes vividas pelos participantes e uma explicação teórica curta, apoiada em um manual escrito. Os temas iam do narcisismo normal e patológico ao diagnóstico de TPN e a princípios de tratamento, como observar a si mesmo e ter metas realistas.
  • O que mediram: presença, desistência, internações, oscilações semanais do estado emocional ligado ao narcisismo, satisfação ao final e pontuação no PNI antes e depois.

Psicoeducação, aqui, é uma intervenção em que o profissional explica ao paciente, com clareza, o que é o quadro que ele tem, para que ele consiga lidar melhor com ele. Em outros transtornos, inclusive no borderline, ela ajuda a reduzir o estigma e a aumentar a adesão ao tratamento. No narcisismo patológico, nunca tinha sido avaliada.

O que o estudo encontrou

O que foi medido Resultado
Participantes 25 adultos, idade média de 37 anos, 56% mulheres
Diagnóstico completo de TPN 14 pessoas (56%)
Transtorno de personalidade borderline ao mesmo tempo 23 pessoas (92%)
Presença média nos encontros 83%
Desistências 1 pessoa
Internações 1 internação breve, por motivo não relacionado ao grupo
Gostou do grupo / recomendaria 92% / 92% (24 responderam)
Achou relevante tratar o narcisismo no cuidado em saúde 100%
Achou útil para se entender melhor e quer continuar trabalhando o tema 92%
Sentia-se estigmatizado pelo conceito de narcisismo 63% antes do grupo; 21% depois
Teve dificuldade de fazer as tarefas de casa 63%
Grandiosidade no PNI (autorrelato, itens de 6 pontos) caiu de 3,37 para 2,96 (diferença estatisticamente significativa)
Vulnerabilidade no PNI 3,27 para 3,05 (sem diferença significativa)

Três achados merecem atenção:

  • A adesão foi alta. Em um grupo conhecido por abandonar tratamentos cedo, quase todos ficaram até o fim. Os autores levantam a hipótese de que um tratamento que fala diretamente do problema, de forma respeitosa, ajuda a pessoa a se sentir agente da própria mudança. Mas eles mesmos chamam essa hipótese de altamente especulativa.
  • Seguro não quer dizer fácil. O monitoramento semanal não mostrou piora do estado emocional entre os encontros. Ainda assim, nas respostas abertas, vários participantes descreveram a experiência como intensa ou desestabilizadora, e a maioria disse precisar de terapia individual ao mesmo tempo, para processar o que o grupo despertava. Os autores concluem que esse tipo de grupo não deve ser oferecido sozinho, sem acompanhamento individual.
  • Ver que outros passam pelo mesmo ajudou. 75% disseram que perceber dificuldades parecidas nos colegas foi útil.

Os autores lembram que uma parte importante dos participantes continuou se sentindo estigmatizada depois do grupo: além dos 21% que concordaram fortemente ou totalmente, cerca de um terço concordou de forma moderada. Para alguns, o grupo reduziu a vergonha; para outros, colocou-os diante de imagens dolorosas de si mesmos que exigem mais apoio.

No Instagram, o Dr. Anderson comentou outro estudo sobre como pessoas com TPN mudam durante psicoterapias longas, de anos:

O que esse estudo não diz

  • Não prova que o tratamento funciona. Não houve grupo de comparação, e os pacientes estavam recebendo outros tratamentos ao mesmo tempo. A queda da grandiosidade pode ter outras explicações. Os autores dizem com todas as letras que nenhuma conclusão de causa é possível e que o resultado é apenas um sinal a ser testado em estudos controlados.
  • Amostra pequena e muito específica. Foram 25 pessoas, de um único centro francês, e 92% também tinham transtorno de personalidade borderline. Os autores sugerem que isso pode ter facilitado a adesão, já que traços borderline podem favorecer o engajamento em grupo.
  • Os participantes já estavam em tratamento e aceitaram participar. Foram encaminhados por médicos e concordaram em participar. O estudo não diz nada sobre quem nega ter qualquer dificuldade.
  • Não mediu relacionamentos. Não houve avaliação de como os participantes tratavam parceiros, filhos ou colegas, nem de violência ou abuso. Pontuação menor em um questionário respondido pelo próprio paciente não é o mesmo que deixar de ferir quem está por perto.
  • Instrumentos limitados. O questionário de satisfação foi criado pela própria equipe e não foi validado. Vergonha, estigma e regulação emocional não foram medidos com instrumentos próprios.
  • Curto prazo. Foram 6 semanas, sem acompanhamento depois. Não se sabe o que acontece meses ou anos mais tarde.

O que isso muda na prática

Para quem viveu uma relação abusiva

  • Há caminhos de tratamento, mas não há promessa. O estudo mostra um caminho sério e respeitoso, e também mostra quanto ele exige: motivação própria, presença semanal, acompanhamento individual, disposição para encarar vergonha e emoções fortes. Ninguém faz esse trabalho pelo outro.
  • “Estou em tratamento” não é prova de mudança. O que conta é comportamento ao longo do tempo: respeito a limites, reconhecimento do que fez sem jogar a culpa em você, ausência de punição quando você discorda. Discutimos isso em um narcisista pode mudar? e em hoovering, quando a promessa de mudança vem junto de um pedido de volta.
  • Você não precisa esperar. Acreditar que alguém pode melhorar e decidir não continuar a relação são coisas compatíveis. A melhora, quando acontece, costuma ser lenta e gradual, segundo a revisão de Weinberg e Ronningstam. Sua segurança e sua saúde não precisam ficar em suspenso enquanto isso. Se houver medo ou risco, ligue 190 ou procure orientação no Ligue 180; veja também como pedir medida protetiva.
  • Você não é o terapeuta da pessoa. Os próprios pacientes do estudo pediram profissionais e acompanhamento individual para dar conta do que o tratamento despertava. Esse papel não cabe a quem convive com ela. Falamos disso em virei a mãe e a terapeuta do meu parceiro.
  • Cuide do seu próprio tratamento. Quando há sintomas de estresse pós-traumático ou de TEPT complexo, as abordagens indicadas são EMDR, Brainspotting e terapia cognitivo-comportamental focada no trauma. Insônia, cansaço, dores e alterações de pressão ou de apetite também merecem avaliação médica.

Para quem tem medo de ser a pessoa com traços narcisistas

  • Fazer essa pergunta já é um começo. No estudo, entender o conceito sem rótulos pejorativos ajudou muitos participantes a se sentirem menos estigmatizados e mais dispostos a continuar o tratamento.
  • Teste online não fecha diagnóstico. Leve exemplos concretos de situações, consequências e dificuldades para uma avaliação com profissional de saúde mental. Se disseram que você é a narcisista depois de uma relação abusiva, leia também fui acusada de ser a narcisista.

No vídeo abaixo, o Dr. Anderson explica como avaliar quando alguém volta dizendo que mudou:

E, no Instagram, ele traz o mesmo tema em formato de carrossel:

Perguntas frequentes

Existe tratamento para narcisismo patológico?

Existem propostas, como adaptações da terapia baseada em mentalização, da psicoterapia focada na transferência, da terapia do esquema e do Bom Manejo Psiquiátrico, além da psicoeducação. Nenhuma foi comprovada em ensaio clínico randomizado específico para o transtorno de personalidade narcisista.

O que é psicoeducação para narcisismo?

É uma intervenção em que profissionais explicam ao paciente, de forma clara e sem rótulos ofensivos, o que é o narcisismo patológico, como ele afeta a autoestima, as emoções e as relações, e quais caminhos de tratamento existem. No estudo francês, foi feita em 6 encontros semanais em grupo.

Esse estudo prova que o tratamento funciona?

Não. É um estudo de viabilidade com 25 pacientes, sem grupo de comparação. Ele mostra que o programa foi aceito e bem frequentado, com 83% de presença e 1 desistência. A queda na grandiosidade autorrelatada é apenas um sinal a ser testado em estudos maiores.

Se a pessoa começou tratamento, devo esperar que ela mude?

Ninguém é obrigado a esperar. Tratamento não garante mudança, e a melhora, quando ocorre, costuma ser lenta. Observe comportamentos ao longo do tempo e decida a partir da sua segurança e da sua saúde, não de promessas.

Qual a diferença entre narcisismo patológico e transtorno de personalidade narcisista?

Narcisismo patológico é uma dificuldade de regular a autoestima, com uma face grandiosa e outra vulnerável. O transtorno de personalidade narcisista é o diagnóstico formal do DSM-5, que exige pelo menos 5 de 9 critérios e retrata mais a face grandiosa. Ambos só podem ser avaliados em consulta com a própria pessoa.

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Leia também

Referências científicas

  1. Blay M, Benmakhlouf I, Speranza M, Duarte M, Ronningstam E. Feasibility and acceptability of a group psychoeducation program for patients with pathological narcissism with or without a diagnosis of narcissistic personality disorder. Journal of Psychiatric Practice. 2026;32(4):166-173. (DOI: 10.1097/PRA.0000000000000940)
  2. Blay M, Duarte M, Benmakhlouf I, et al. Psychoeducation for pathologic narcissism and narcissistic personality disorder: a review and proposal for a good psychiatric management-based six-week group program. Journal of Psychiatric Practice. 2024;30:249-258. (DOI: 10.1097/PRA.0000000000000797)
  3. Weinberg I, Ronningstam E. Narcissistic personality disorder: progress in understanding and treatment. Focus. 2022;20(4):368-377. (DOI: 10.1176/appi.focus.20220052)
  4. Weinberg I, Ronningstam E. Dos and don’ts in treatments of patients with narcissistic personality disorder. Journal of Personality Disorders. 2020;34(suppl):122-142. (DOI: 10.1521/pedi.2020.34.supp.122)
  5. Pincus AL, Lukowitsky MR. Pathological narcissism and narcissistic personality disorder. Annual Review of Clinical Psychology. 2010;6:421-446. (DOI: 10.1146/annurev.clinpsy.121208.131215)

Conteúdo educativo, não substitui avaliação individual. Em situação de risco, ligue 190; para orientação sobre violência contra a mulher, Ligue 180; para apoio emocional, CVV 188.

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Sobre o autor

Dr. Anderson Contaifer de Carvalho
Médico · CRM-SC 24.484 · Especialista em Clínica Médica · RQE 18.790. Graduado pela EMESCAM em 2012, com título de especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), em 2019. Atende adultos exclusivamente por teleconsulta, com avaliação individual das repercussões físicas e emocionais de relacionamentos abusivos e do estresse prolongado. Criador do Programa Quebrando as Algemas e de conteúdo educativo sobre relacionamentos abusivos, limites e autocuidado.

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